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Leia: Guerra no Irã: Preço da ureia dispara e pressiona produção de alimentos no Brasil
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9 de março de 2026 02:04

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OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Guerra no Irã: Preço da ureia dispara e pressiona produção de alimentos no Brasil
Agronegócio

Guerra no Irã: Preço da ureia dispara e pressiona produção de alimentos no Brasil

Alta da ureia após tensão no Oriente Médio preocupa agronegócio e pode afetar produção de alimentos e custos logísticos no Brasil.

última atualização: 8 de março de 2026 14:49
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
Guerra no Irã: Preço da ureia dispara e pressiona produção de alimentos no Brasil
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A ureia é um dos insumos mais importantes da agricultura moderna e desempenha papel fundamental na produção global de alimentos. Utilizada amplamente como fertilizante nitrogenado, a substância ajuda a aumentar a produtividade das lavouras e garantir colheitas maiores. No entanto, recentes tensões no Oriente Médio e problemas na logística internacional passaram a gerar preocupação entre produtores e especialistas do setor agrícola, especialmente no Brasil.

A importância da ureia na agricultura moderna

Embora muitas pessoas não estejam familiarizadas com o composto, a ureia está presente de forma indireta em grande parte dos alimentos consumidos no mundo. Trata-se do fertilizante nitrogenado mais utilizado globalmente e responsável por fornecer nitrogênio às plantas, nutriente essencial para o crescimento e desenvolvimento das culturas.

Sem esse tipo de fertilizante sintético, especialistas indicam que a produtividade agrícola seria significativamente menor. Estima-se que aproximadamente metade da produção mundial de alimentos dependa de fertilizantes nitrogenados. Nesse cenário, culturas amplamente consumidas, como trigo, milho e arroz, são diretamente beneficiadas pelo uso do insumo.

A aplicação da substância permite que as plantas se desenvolvam com maior rapidez e que os agricultores obtenham safras mais volumosas, ajudando a atender à demanda alimentar de uma população global em constante crescimento.

Dependência global de fertilizantes

O sistema agrícola moderno depende de uma cadeia de suprimentos internacional complexa. Diversos países produzem fertilizantes, mas determinadas regiões se tornaram centrais para a oferta global desses insumos.

Entre elas, o Oriente Médio ocupa posição estratégica. A região abriga algumas das maiores instalações industriais dedicadas à produção de fertilizantes e também concentra matérias-primas essenciais para sua fabricação, como a amônia. Esses elementos são fundamentais para a produção de fertilizantes nitrogenados utilizados em larga escala em diversos países.

Essa concentração geográfica faz com que qualquer instabilidade política ou econômica na região tenha potencial de gerar efeitos em diversos mercados ao redor do mundo, incluindo o agronegócio brasileiro.

Ureia registra forte aumento de preço

Os reflexos dessa dependência já começam a ser percebidos no Brasil. De acordo com nota técnica divulgada pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o preço da ureia granular apresentou alta de aproximadamente 35% entre os dias 20 de fevereiro e 5 de março.

Segundo o documento, o fertilizante se tornou um dos insumos mais impactados pela paralisação regional causada pelas tensões no Oriente Médio. O bloqueio comercial no Estreito de Ormuz, provocado por um colapso no tráfego marítimo, tem dificultado o fluxo de mercadorias e aumentado os custos logísticos.

Para produtores brasileiros, o efeito imediato aparece no encarecimento do fertilizante e na pressão adicional sobre combustíveis e fretes. Além disso, cresce a incerteza em relação ao escoamento de produtos agrícolas destinados a mercados da região.

Custos logísticos também sobem

Outro fator que passou a influenciar os preços é o aumento do risco nas rotas marítimas da região. O seguro de transporte conhecido como “war risk”, utilizado em áreas com potencial de conflito, registrou crescimento significativo.

Em janeiro, o prêmio desse seguro girava em torno de 0,25% do valor do casco das embarcações. Já em 6 de março, o percentual chegou a aproximadamente 3% por viagem. Paralelamente, os fretes de petroleiros operando no Oriente Médio atingiram níveis considerados recordes.

Esses custos adicionais acabam sendo incorporados gradualmente ao preço final dos produtos transportados, incluindo fertilizantes e combustíveis.

Petróleo e inflação ampliam impacto econômico

A instabilidade na região também influenciou o mercado internacional de energia. O petróleo do tipo Brent registrou valorização de cerca de 18% entre os dias 21 de fevereiro e 6 de março.

Essa alta tem potencial de impactar diversos setores da economia brasileira, uma vez que o combustível é elemento essencial para transporte de cargas, produção agrícola e logística. O aumento do diesel, por exemplo, pode elevar os custos operacionais no campo e no transporte de mercadorias.

Ainda assim, especialistas apontam que a transmissão desses efeitos para o mercado doméstico pode ocorrer de forma gradual e não necessariamente imediata.

Exportações brasileiras também podem ser afetadas

Além do impacto sobre fertilizantes e combustíveis, a escalada das tensões no Oriente Médio também levanta preocupações sobre o comércio exterior brasileiro. Estimativas indicam que até 6 bilhões de dólares em exportações de carne bovina podem ser afetados caso a situação se prolongue.

Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aponta que as vendas diretas para a região somaram aproximadamente 2 bilhões de dólares em 2025. No entanto, o impacto potencial pode ser maior porque o Oriente Médio funciona como um importante centro de redistribuição global de alimentos.

Mercado halal e exportação de frango

O Brasil ocupa posição de destaque no fornecimento de carne halal, produto destinado a consumidores que seguem normas alimentares islâmicas. Esse segmento possui forte demanda nos países do Oriente Médio.

Dados citados pela Farsul indicam que a região absorveu cerca de 29% das exportações brasileiras de frango em 2025, o equivalente a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas.

Dessa forma, qualquer interrupção no acesso a esses mercados ou encarecimento das rotas comerciais — especialmente aquelas que passam pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez — pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional.

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