O governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrou um déficit primário de R$ 22,4 bilhões em agosto de 2024. Esse resultado representa uma queda de 19,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da diminuição mensal, o déficit acumulado ao longo do ano já alcança R$ 99,4 bilhões, destacando um desafio econômico persistente.
A equipe econômica do governo, no entanto, mantém projeções mais otimistas para o próximo ano, enquanto o mercado financeiro se mostra mais pessimista quanto ao resultado fiscal de 2024.
Déficit primário em agosto e no acumulado do ano
De acordo com o relatório divulgado pelo Tesouro Nacional, o déficit primário de agosto de 2024 foi de R$ 22,4 bilhões, marcando uma redução significativa em relação a agosto de 2023, quando o rombo foi maior. No entanto, ao se analisar o acumulado de 2024, o cenário continua preocupante.
Até agosto, o déficit primário atingiu R$ 99,4 bilhões, evidenciando uma redução de 9,1% em comparação com o mesmo período de 2023, quando o valor acumulado foi de R$ 109,3 bilhões.
Esses números refletem a contínua dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas, o que poderá influenciar as decisões de política fiscal para os próximos meses.
Perspectiva do governo para 2024
Apesar do cenário atual, a equipe econômica do governo tem uma visão relativamente otimista para o próximo ano. Para 2024, a projeção oficial indica um déficit primário de R$ 28,3 bilhões, valor que se aproxima do piso da meta estabelecida de 0% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a regra fiscal vigente, há uma margem de tolerância de até 0,25% do PIB, o que corresponde a R$ 28,8 bilhões.
O governo busca manter o déficit primário controlado, utilizando uma política fiscal que permita certo equilíbrio entre gastos obrigatórios e receitas. No entanto, essas previsões, embora otimistas, enfrentam desafios significativos, sobretudo diante do cenário econômico incerto.
Projeções pessimistas do mercado financeiro
Enquanto o governo mantém uma perspectiva mais positiva em relação ao déficit primário, o mercado financeiro adota uma postura mais cautelosa. Segundo o Boletim Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central, a expectativa é de que o déficit primário para 2024 seja de 0,6% do PIB, consideravelmente acima da previsão governamental.
Além disso, o relatório Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Fazenda, estima que o déficit primário poderá chegar a R$ 66,7 bilhões no próximo ano. Essa discrepância nas projeções evidencia a preocupação do mercado com a capacidade do governo em equilibrar receitas e despesas, especialmente em um contexto de incertezas econômicas tanto no cenário doméstico quanto no internacional.