O Governo do Irã demonstrou gratidão ao Brasil após a manifestação do Itamaraty condenando os recentes ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares em território iraniano. Em entrevista concedida a jornalistas brasileiros, o embaixador iraniano, Abdollah Nekounam Ghadiri, elogiou a postura diplomática adotada pelo Brasil diante do episódio, destacando a sensibilidade do país em temas humanitários e de direito internacional.
Reação do Governo do Irã aos ataques
Durante a entrevista realizada em farsi, com tradução de um intérprete iraniano radicado no Brasil, o embaixador Abdollah Ghadiri expressou profundo reconhecimento ao posicionamento do Brasil frente aos ataques norte-americanos. “Agradecemos aos países que demonstram sensibilidade diante de questões humanitárias e que respeitam o direito internacional”, afirmou o diplomata.
O embaixador também respondeu a perguntas sobre como o Governo do Irã interpretou a nota brasileira. Embora não tenha confirmado uma mudança explícita na relação Brasil-Estados Unidos, Ghadiri destacou que a atitude brasileira reflete o compromisso com a soberania dos Estados.
Após os bombardeios dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota oficial condenando a ação militar norte-americana, classificando-a como uma violação da soberania do Irã e do direito internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilhou o posicionamento em suas redes sociais.
Governo do Irã pode participar da cúpula dos Brics
O embaixador Ghadiri também indicou que o Governo do Irã está em fase de planejamento para que o presidente Masoud Pezeshkian participe da próxima Cúpula de Líderes dos Brics, marcada para os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. Segundo ele, ainda há questões logísticas a serem finalizadas, mas a possibilidade de presença está sendo considerada com seriedade.
A entrada do Irã no grupo Brics, oficializada em 2024, representou um marco importante para a diplomacia iraniana. Na ocasião, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o bloco representa uma alternativa ao que chamou de “totalitarismo dos EUA”. A expectativa é que a adesão ao Brics impulsione novos acordos multilaterais e reforce a presença iraniana em fóruns internacionais.

