Unidos por um forte alinhamento ideológico em defesa da propriedade privada, da universalização dos serviços e do agronegócio, o candidato à reeleição, deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e o cientista político, analista e doutor em filosofia Haroldo Arruda, candidato a deputado federal pelo NOVO, criticam modelos estruturados de ensino voltados ao campo, com especial foco no Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA).
A VISÃO DE HAROLDO ARRUDA: FIM DO PRONERA E UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO
Candidato a uma vaga na Câmara dos Federal, Haroldo Arruda adota uma postura firme em relação aos moldes atuais das políticas educacionais voltadas às áreas agrárias. Para o professor e doutor em filosofia, a prioridade absoluta deve ser a igualdade de acesso e a universalização dos serviços públicos, sem distinção de grupos políticos ou movimentos sociais.
“Defenderei uma profunda revisão da política educacional destinada às populações do campo, incluindo o fim do atual modelo do PRONERA. Minha posição parte de um princípio muito simples: a educação pública deve ser universal, de qualidade e acessível a todos os brasileiros, independentemente de movimento social, organização ou grupo ao qual pertençam”, defende Arruda.
O candidato argumenta que o foco do Estado deve residir no fortalecimento de uma rede de ensino unificada e de excelência, capaz de amparar tanto o morador de assentamentos e pequenas propriedades quanto o cidadão inserido em comunidades periféricas ou centros urbanos.
“Não sou contra a criança, o jovem ou o trabalhador que vive no campo. Muito pelo contrário. Quero que eles tenham acesso à melhor educação possível, com os mesmos direitos e oportunidades de qualquer outro brasileiro. O que questiono é a existência de políticas educacionais estruturadas para públicos vinculados à reforma agrária quando podemos fortalecer uma política nacional capaz de alcançar todos. Educação não pode separar brasileiros. Educação deve unir, emancipar e oferecer oportunidades para todos”, pontua.
GILBERTO CATTANI E A CRÍTICA DIRETA AO MODELO
A pauta encontra eco irrestrito na trajetória e nos discursos do deputado estadual Gilberto Cattani (PL). Morador de assentamento rural há mais de duas décadas e reconhecido defensor da titulação definitiva de terras, Cattani sustenta uma separação clara entre o conceito legítimo de reforma agrária e a atuação de movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), cujas práticas classifica duramente como prejudiciais ao desenvolvimento agrário do estado e da Amazônia.
Ao mirar especificamente no PRONERA, Cattani ecoa o mesmo tom crítico compartilhado pelo aliado e aponta desvios estruturais na condução de cursos e diretrizes acadêmicas financiadas com recursos públicos.
“Hoje nós vemos aí, por exemplo, a agronomia exclusiva para a reforma agrária, e essa agronomia exclusiva para a reforma agrária ataca o agronegócio. Esse programa é exclusivo do MST e não tem nada a ver com a reforma agrária. Eles estão criando engenheiro agrônomo que vai contra o agronegócio, que vai defender a tal da agrofloresta, que vai dizer que o agronegócio tem que acabar no Brasil e que vão atacar diretamente o agronegócio”, questiona o parlamentar.
Cattani vai além ao cobrar posições firmes do parlamento federal diante da legislação educacional.
“Vocês estão vendo o resultado desse programa? Vai acontecer porque existe um programa do Ministério da Educação que vai dar respaldo pra isso, dentro da legalidade que os senhores não fazem nada no Congresso aí para impedir. Então, se querem resolver esse problema, olhem para a causa: o Pronera. Alguns dos senhores já tentou acabar com esse programa nefasto?”, indaga.

