*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Uma grande operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta terça-feira, dia 20 de outubro, abalou o cenário político da Grande Cuiabá. A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, visando desarticular uma suposta organização criminosa instalada no Poder Legislativo municipal.
A investigação apura esquemas de cooptação de agentes públicos, pagamento de vantagens indevidas, práticas de corrupção e outras irregularidades que teriam impactado diretamente a administração pública e a lisura das disputas pelas Mesas Diretoras das Câmaras Municipais.
A ação policial mirou diretamente 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares da Câmara Municipal de Cuiabá. Na capital, os alvos de busca e apreensão foram os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues.
A menção a Ilde Taques ocorre em um momento decisivo. No último dia 6 de outubro, o parlamentar foi eleito por unanimidade como o novo presidente da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028. Encabeçando uma chapa única, Ilde recebeu o voto de todos os 27 vereadores da Casa.
A eleição de Taques foi precedida por uma disputa de bastidores, deflagrada após a frustrada tentativa da vereadora Paula Calil (PL) em aprovar uma mudança no Regimento Interno que permitiria a reeleição.
DISPUTA E ANULAÇÃO DE ELEIÇÃO NA CÂMARA DE VÁRZEA GRANDE
Em Várzea Grande, os desdobramentos atingem em cheio a cúpula administrativa e quase a totalidade dos parlamentares da Casa de Leis. Entre os investigados estão o próprio presidente do Legislativo municipal, servidores e 12 vereadores:
-Wanderley Cerqueira (MDB): Presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande;
-Lorineide Aparecida Trindade Inha: Diretora financeira da Câmara;
-Samir Japonês (PL): Secretário legislativo;
-Alessandro Moreira (MDB): Vereador;
-Braz Jaciro (PSDB): Vereador;
-Cilcinho (PV): Vereador;
-Denival Galibert (PSB): Vereador;
-Emerson Cesar (PP): Vereador;
-Gisa Barros (Podemos): Vereadora;
-Kleberton Feitoza (PSB): Vereador;
-Lucélia Oliveira (Agir): Vereadora;
-Miguel Angel (Cidadania): Vereador;
-Raul Curvo (Republicanos): Vereador;
-Rogerinho da Dakar (PSDB): Vereador (Rogério de França Martins);
-Wender Silva (Republicanos): Vereador.

Em Várzea Grande, os desdobramentos envolvem as turbulentas disputas pelo comando do Legislativo municipal. Em maio deste ano, o vereador Wanderley Cerqueira havia sido reeleito presidente da Casa durante uma sessão extraordinária, onde a Chapa 1 (“Credibilidade e Independência”) venceu por apenas um voto de diferença, placar de 12 a 11 contra a Chapa 2, liderada pelo vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL).
No entanto, a validade daquela eleição foi anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o que acirrou as disputas internas e acendeu os alertas dos órgãos de controle sobre a compra de votos e o oferecimento de vantagens indevidas entre os parlamentares locais.
Para garantir o cumprimento simultâneo das ordens judiciais e a preservação das provas, a Operação Cathedra Venalis mobilizou uma força de trabalho com cerca de 200 policiais. A ação contou com o apoio ostensivo e especializado de diversas forças de segurança de Mato Grosso, incluindo: Comandos Regionais I e II da Polícia Militar; Diretoria da Agência Central de Inteligência (ACI);Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam); Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope); Regimento de Policiamento Montado (Cavalaria); Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental e equipes do RAIO e Grupos de Apoio (GAP).
Os materiais apreendidos durante as buscas foram encaminhados à sede do Gaeco para perícia e análise documental, que devem fundamentar os próximos passos do inquérito policial.

