O Gabinete de Janja, sem função oficial, mas com “autonomia total”, acumula custos anuais de quase R$ 2 milhões para os cofres públicos, segundo dados do Portal da Transparência. A primeira-dama, Rosângela Silva, mais conhecida como Janja, desempenha um papel que ela mesma define como “articuladora” no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhada por uma equipe de oito profissionais.
A composição do Gabinete de Janja
Dados levantados pelo site Poder360 revelam que a equipe de Janja inclui oito profissionais, sendo sete formalmente alocados no gabinete pessoal do presidente e um fotógrafo vinculado à Secretaria de Comunicação Social. As funções desempenhadas por esses profissionais são designadas diretamente pelo presidente, de acordo com declarações do Palácio do Planalto.
Entre os funcionários, os maiores salários registrados pertencem a Edson Antônio Moura Pinto, ajudante de ordens, que recebe R$ 22.106,70, e Neudicleia Neres de Oliveira, principal assessora da primeira-dama, com R$ 18.469,94. A amizade entre Neudicleia e Janja teve início nas vigílias realizadas por apoiadores de Lula em Curitiba, quando o presidente estava preso.
Custos de viagens e deslocamentos
Os gastos com viagens da primeira-dama também chamam atenção. Entre 2023 e 2024, Janja esteve fora do Brasil por 103 dias, acompanhando o presidente em eventos internacionais ou representando o país. Os custos totais de deslocamento da equipe de Janja somaram R$ 791.542,23, enquanto cinco viagens específicas realizadas por ela tiveram um custo adicional de R$ 139.365,30.
Viagens aos Estados Unidos e França estão entre as mais onerosas, como a ida a Nova York em março de 2023 e a participação na Olimpíada de Paris em julho do mesmo ano. Esses eventos reforçam a presença internacional da primeira-dama, mas também geram questionamentos sobre os valores despendidos.
O levantamento detalha que os custos anuais do Gabinete de Janja giram em torno de R$ 1,9 milhão. Esse valor inclui uma folha salarial mensal de R$ 118.065,68, além de gastos com deslocamentos. O total de despesas de dois anos, entre 2023 e 2024, atingiu R$ 3,8 milhões, considerando os salários, o 13º salário e as viagens realizadas no período.
Segundo o Palácio do Planalto, os valores são compatíveis com as atividades desempenhadas pelos profissionais que compõem a equipe da primeira-dama. No entanto, os números continuam alimentando debates sobre a extensão e a justificativa desses custos.
O papel de Janja no governo Lula
Embora sem cargo oficial, Janja define sua função no governo como articuladora, atuando com liberdade para realizar ações que considera relevantes. Em entrevista à BBC, a primeira-dama afirmou que não há hierarquia entre ela e o presidente, destacando que possui “autonomia total” em suas atividades.
Essa autonomia se reflete em sua participação ativa em eventos nacionais e internacionais, contribuindo para a imagem e a articulação do governo. O Planalto reforça que as atividades realizadas pela equipe de Janja são essenciais para a Presidência.
Em janeiro de 2024, o Conselho de Ética Pública (CEP) arquivou uma investigação relacionada ao uso de uma sala no Palácio do Planalto pela primeira-dama. A decisão foi fundamentada na “ausência de materialidade”, encerrando o caso que gerou especulações sobre possíveis irregularidades éticas.