O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar a eleição presidencial brasileira e manifestou insatisfação com o processo que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta-feira (29), o republicano classificou o pleito como uma situação vergonhosa, afirmou que o petista teria solicitado sua neutralidade durante a disputa e declarou que pretende conversar com o presidente brasileiro sobre os acontecimentos.
Trump afirma que Lula pediu neutralidade na eleição
Durante uma conversa com jornalistas antes de viajar para a Carolina do Sul, Trump declarou que acompanhou a eleição brasileira sem apoiar publicamente nenhum dos candidatos. Segundo o presidente norte-americano, Lula teria pedido que ele não interferisse politicamente na disputa, solicitação que, de acordo com seu relato, foi respeitada.
Apesar de afirmar que não tomou partido, Trump demonstrou descontentamento com o resultado e com a condução do processo eleitoral. O republicano descreveu os acontecimentos no Brasil de maneira negativa, indicando que considera o episódio motivo de preocupação.
O presidente dos Estados Unidos também informou que deseja tratar do assunto diretamente com Lula. Até o momento da declaração, porém, não havia divulgado uma data para a possível conversa entre os dois chefes de Estado.
Contato anterior entre Trump e Lula
Os presidentes já haviam conversado por telefone em agosto, quando o cenário eleitoral brasileiro também esteve entre os assuntos abordados. Conforme informações atribuídas a interlocutores do Palácio do Planalto, Trump demonstrou interesse em saber mais detalhes sobre a disputa durante o contato, que durou mais de uma hora.
A intenção de retomar o tema indica que o republicano pretende discutir com o governo brasileiro sua interpretação dos acontecimentos relacionados à votação e aos procedimentos adotados durante a apuração.
Trump questiona decisões durante o processo eleitoral
A avaliação negativa de Trump está relacionada, entre outros pontos, a decisões adotadas durante a votação. O pleito, realizado em segundo turno no domingo (25), terminou com a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Entre os episódios mencionados está a prorrogação do horário de votação por duas horas, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também houve uma interrupção temporária na totalização dos votos, conforme o relato apresentado na matéria original.
A decisão judicial foi registrada após o horário inicialmente estabelecido para o encerramento da votação. Esses acontecimentos passaram a integrar os questionamentos levantados por Trump sobre a condução das eleições brasileiras.
Na segunda-feira (26), o presidente norte-americano já havia manifestado desconfiança em relação ao pleito, chegando a afirmar que a eleição parecia fraudada. Na mesma ocasião, entretanto, declarou que gosta de Lula e que mantém uma relação positiva com o presidente brasileiro.
As declarações demonstram que Trump separa sua avaliação sobre o processo eleitoral de sua percepção pessoal sobre o chefe do Executivo do Brasil, embora não tenha apresentado, nas falas reproduzidas, provas que sustentem a suspeita de fraude.
Trump relaciona resultado eleitoral à reação do mercado financeiro
Outro ponto destacado pelo presidente norte-americano foi o comportamento do mercado financeiro brasileiro após a definição do resultado eleitoral. Trump utilizou a movimentação dos ativos para reforçar sua crítica à situação política do país.
No primeiro pregão posterior ao segundo turno, o Ibovespa registrou queda de 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21% e encerrou o dia cotado a R$ 5,40, segundo os números apresentados no relato original.
Ao comentar esses indicadores, Trump afirmou que a reação do mercado demonstrava a gravidade do cenário. O republicano mencionou a desvalorização dos ativos brasileiros como um dos elementos que, em sua interpretação, justificariam a avaliação negativa sobre os acontecimentos eleitorais.
Repercussão econômica após a votação
A movimentação do mercado financeiro ocorreu no primeiro dia de negociações após o segundo turno e foi citada por Trump durante suas declarações públicas. A queda da bolsa e a alta do dólar foram apresentadas pelo presidente dos Estados Unidos como sinais de preocupação com o resultado.
Entretanto, a oscilação de indicadores financeiros, isoladamente, não comprova irregularidades eleitorais. Para estabelecer qualquer relação entre o desempenho do mercado e a validade de uma eleição, é necessário considerar os diferentes fatores econômicos e políticos que podem influenciar os preços dos ativos.
Até o momento descrito no relato, Trump não havia anunciado medidas concretas relacionadas às suas críticas, limitando-se a expressar sua insatisfação e a indicar que pretende conversar com Lula.

