Os Estados Unidos anunciaram a instalação de um escritório antidrogas em Assunção, capital do Paraguai, com a finalidade de coordenar ações de combate ao tráfico de drogas e fortalecer a cooperação em segurança na América do Sul. A iniciativa foi divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano na quarta-feira (21), após uma visita do vice-secretário de Estado Christopher Landau ao país. O projeto integra uma série de medidas destinadas a ampliar a capacidade de enfrentamento das organizações criminosas e reforçar a fiscalização das fronteiras na região.
Escritório antidrogas será centro de coordenação regional
A nova unidade ficará vinculada ao Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL), órgão do governo norte-americano responsável por iniciativas internacionais relacionadas ao combate às drogas e ao fortalecimento das instituições de segurança pública.
A estrutura em Assunção deverá funcionar como um ponto de articulação dos programas dos Estados Unidos voltados ao enfrentamento do narcotráfico no Cone Sul. A proposta também prevê ampliar a integração entre autoridades norte-americanas e governos sul-americanos envolvidos em operações contra redes criminosas transnacionais.
A criação do escritório antidrogas representa mais uma etapa da aproximação entre Washington e o governo paraguaio, especialmente nas áreas de inteligência, segurança de fronteiras e combate a atividades ilícitas.
Reuniões com autoridades paraguaias
Durante a passagem pelo Paraguai, Christopher Landau se reuniu com o presidente Santiago Peña e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano.
Os encontros resultaram em compromissos voltados à ampliação da cooperação bilateral em segurança. Entre as prioridades anunciadas estão o combate ao financiamento do terrorismo, o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle territorial e o desenvolvimento de ferramentas para análise de evidências digitais.
As medidas deverão ser implementadas por meio de programas de assistência e iniciativas conjuntas entre os dois países.
Estados Unidos anunciam US$ 11,75 milhões para segurança
O pacote de cooperação anunciado durante a visita prevê recursos destinados a diferentes frentes de atuação contra o terrorismo e o crime organizado.
Uma parcela de US$ 5,5 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 27,6 milhões, será direcionada ao fortalecimento das ações contra o financiamento de atividades terroristas. O montante também deverá contribuir para a implantação de um centro de contraterrorismo e para o desenvolvimento de iniciativas relacionadas à segurança das fronteiras e à análise de provas digitais.
Outro aporte, de US$ 6,25 milhões, será destinado ao enfrentamento do crime organizado transnacional.
Com a soma dos dois valores, a assistência de segurança anunciada alcança US$ 11,75 milhões. Os recursos fazem parte dos esforços para ampliar a capacidade das autoridades paraguaias de prevenir e investigar atividades criminosas.
Assessor especializado será enviado a Assunção
Além do escritório antidrogas, o governo dos Estados Unidos prepara o envio de um assessor especializado em contraterrorismo para a capital paraguaia.
De acordo com o Departamento de Estado, o profissional ficará responsável por acompanhar os compromissos firmados e auxiliar no desenvolvimento dos programas de cooperação já existentes.
A designação será inédita para essa área de atuação do departamento na região, conforme as informações divulgadas pelo governo norte-americano. A presença do assessor deverá contribuir para a coordenação das iniciativas relacionadas à prevenção do terrorismo e à segurança regional.
Acordo prevê reforço da fiscalização do espaço aéreo
A cooperação entre os dois países também avançou na área de monitoramento do espaço aéreo paraguaio. Durante a visita, Christopher Landau e Rubén Ramírez Lezcano assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea.
A entrada em vigor do instrumento depende da conclusão dos procedimentos diplomáticos previstos, incluindo a troca de notas entre os governos.
A iniciativa tem como objetivo ampliar os recursos disponíveis para identificar e monitorar aeronaves suspeitas de transportar entorpecentes. O reforço da fiscalização poderá contribuir para o combate às rotas aéreas utilizadas por organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas.
O acordo integra o conjunto de medidas voltadas à proteção das fronteiras e ao aprimoramento da capacidade operacional das autoridades paraguaias.
Paraguai poderá adotar sistema norte-americano de controle de fronteiras
Outro compromisso firmado pelos governos foi um memorando de intenção para implementar no Paraguai o sistema PISCES, ferramenta norte-americana utilizada em procedimentos de controle de fronteiras e identificação de passageiros.
A tecnologia tem como finalidade auxiliar na verificação de viajantes e no reconhecimento de possíveis ameaças durante os procedimentos de entrada no país.
Com a eventual adoção do sistema, o Paraguai poderá ampliar os mecanismos de triagem de pessoas que atravessam suas fronteiras. A proposta se soma aos investimentos em inteligência, análise de informações e fiscalização do território.
A implementação da ferramenta deverá integrar as iniciativas de modernização dos controles migratórios e de fortalecimento da segurança nacional paraguaia.
Estratégia dos Estados Unidos inclui aliança contra o crime organizado
A instalação do escritório antidrogas está inserida na estratégia de segurança do presidente Donald Trump para a América Latina. O Paraguai faz parte do Escudo das Américas, iniciativa impulsionada pelo governo norte-americano para ampliar a cooperação entre países da região no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas.
A articulação prevê o fortalecimento de parcerias em áreas como inteligência, segurança de fronteiras e enfrentamento de redes que operam em diferentes países.
Outro elemento dessa política é a classificação de grandes cartéis e organizações criminosas latino-americanas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.
Entre os grupos brasileiros mencionados nesse contexto estão o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A classificação faz parte das medidas adotadas por Washington para ampliar os instrumentos de combate a organizações consideradas ameaças à segurança.

