As buscas por sobreviventes dos terremotos que atingiram a Venezuela seguem mais de uma semana após a tragédia. Enquanto equipes de resgate continuam encontrando pessoas com vida sob os escombros, organizações nacionais e internacionais afirmam que a ajuda humanitária enfrenta obstáculos para chegar às regiões mais afetadas. Segundo entidades envolvidas nas operações, exigências burocráticas, limitações de acesso e controles impostos pelas autoridades venezuelanas têm reduzido a eficiência das ações de socorro.
Apesar das dificuldades naturais enfrentadas em cenários de desastre, como vias danificadas, trânsito intenso e problemas logísticos, representantes de grupos de resgate afirmam que as restrições governamentais têm criado desafios adicionais para voluntários e especialistas que tentam atuar nas áreas atingidas.
Ajuda humanitária enfrenta restrições durante operações de resgate
As equipes de busca permanecem trabalhando em diversas localidades afetadas pelos terremotos. Um dos casos que chamou atenção foi o resgate de um homem encontrado com vida após permanecer oito dias sob os destroços de uma construção.
Entretanto, organizações que atuam em missões internacionais relatam que o acesso aos locais de busca tem sido limitado por medidas de controle adotadas pelas autoridades. Entre os grupos mobilizados estão especialistas brasileiros e profissionais de diversos países enviados para reforçar os trabalhos de resgate.
Segundo relatos das entidades, algumas equipes enfrentaram dificuldades para alcançar regiões onde ainda existiam vítimas soterradas, comprometendo a rapidez das operações.
Organizações denunciam bloqueios e exigências burocráticas
A organização beneficente Amavex, sediada nos Estados Unidos, informou ter recebido denúncias de bombeiros venezuelanos impedidos de acessar determinadas áreas onde ocorriam buscas por sobreviventes.
Em publicações nas redes sociais, a entidade divulgou imagens que mostram agentes da Polícia Nacional Bolivariana realizando bloqueios em pontos de acesso. A organização criticou a medida, argumentando que, durante situações de emergência, o salvamento de vidas deve ser prioridade absoluta.
Além da Amavex, outras instituições também relataram dificuldades para desenvolver suas atividades no país, afirmando que os obstáculos administrativos têm atrasado a chegada de recursos e profissionais especializados.
Equipe internacional teve entrada negada na Venezuela
Outra organização que denunciou problemas foi a ISAR Germany, especializada em missões de busca e salvamento em diferentes partes do mundo.
Segundo a instituição, uma equipe médica de emergência composta por 41 voluntários recebeu autorização inicial para participar das operações. No entanto, às vésperas da viagem, o Ministério da Saúde venezuelano comunicou que a entrada dos profissionais no país havia sido negada.
Com isso, equipamentos médicos e especialistas permaneceram impedidos de embarcar para a Venezuela. Até o momento, não há confirmação oficial de que o grupo tenha conseguido ingressar posteriormente no território venezuelano.
Fiscalizações interrompem trabalhos de socorristas
Além das restrições de acesso, integrantes de equipes estrangeiras também relataram constrangimentos durante as operações.
Francisco Lermanda, representante da equipe chilena Topos Chile, afirmou à imprensa local que militares realizavam constantes interrupções nas atividades para verificar documentos dos socorristas.
De acordo com o relato, as inspeções eram justificadas pela suspeita de que integrantes das missões internacionais poderiam atuar como espiões, situação que, segundo os voluntários, acabou reduzindo a agilidade dos trabalhos em campo.
Governo reforça controle nas áreas atingidas
Após os terremotos, o governo venezuelano ampliou a presença militar em La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos tremores.
As autoridades passaram a controlar rigorosamente o acesso de voluntários, equipes médicas e profissionais especializados. O argumento oficial é que a medida busca impedir a entrada de pessoas sem capacitação técnica, evitando riscos adicionais durante as operações de resgate.
No entanto, representantes da oposição e organizações da sociedade civil contestam essa justificativa. Segundo essas entidades, as restrições estariam dificultando justamente a chegada da ajuda humanitária às comunidades que mais necessitam de assistência.
Veículos da imprensa internacional também divulgaram relatos sobre barreiras burocráticas, postos de fiscalização, bloqueios em estradas e denúncias de cobranças consideradas irregulares durante o deslocamento de equipes humanitárias.
Denúncias envolvem distribuição de doações
Além das críticas relacionadas às operações de resgate, organizações ligadas à diáspora venezuelana afirmam ter recebido informações sobre possíveis problemas na entrega de doações destinadas às vítimas. Os relatos mencionam dificuldades na distribuição de alimentos, água potável, medicamentos e outros itens considerados essenciais para atender a população afetada pelos terremotos.
Também circularam nas redes sociais vídeos mostrando quatro policiais transportando objetos retirados de imóveis destruídos pelos tremores. Posteriormente, as autoridades venezuelanas informaram que os agentes envolvidos foram presos.
Sobreviventes relatam escassez e dificuldades nos abrigos
Enquanto as equipes continuam procurando vítimas, milhares de pessoas seguem desalojadas e dependem de estruturas temporárias para abrigo. Moradores relatam falta de alimentos, dificuldades para conseguir água potável e demora no recebimento da ajuda humanitária. Em alguns centros de acolhimento, sobreviventes afirmam que a distribuição limitada de mantimentos tem provocado disputas entre os próprios desabrigados.
A situação preocupa organizações assistenciais, que alertam para o agravamento das condições de vida das famílias atingidas caso o fluxo de suprimentos e equipes de apoio não seja ampliado nas próximas semanas.

