*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Na noite da última terça-feira, dia 29 de setembro, o vereador Dilemário Alencar (União Brasil) oficializou adesão ao grupo político liderado pela atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), visando o comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028. Consolidaram a aliança estratégica em reunião na qual participaram 13 parlamentares.
Como parte do acordo firmado, o vereador Mário Nadaf (PV) foi definido como o candidato a vice-presidente na chapa. Com a composição, o grupo busca atrair pelo menos mais um parlamentar para alcançar a maioria absoluta de 14 votos necessários para assegurar o comando do Legislativo municipal na eleição marcada para a próxima terça-feira, dia 6 de outubro.
A reunião que selou a aliança contou com mobilização de parlamentares de diferentes siglas. Além de Paula Calil, Mário Nadaf e Dilemário Alencar, participaram do encontro decisivo os vereadores Marcus Brito Júnior (PV), Cezinha Nascimento (União), Marcrean Santos (MDB), Demilson Nogueira (PP), Samantha Íris (PL), Antônio Lemes de Paula (PSD), Kássio Coelho (Podemos), Rafael Ranalli (PL), Tenente-Coronel Dias (Cidadania) e Wilson Kero Kero.
A reviravolta ocorre após um período de intensa movimentação nos bastidores da Câmara. A retomada das conversas resgatou, em parte, os termos de um acordo firmado inicialmente em junho, quando Dilemário Alencar e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) haviam se integrado ao grupo sob a condição de que, caso a presidência não conseguisse viabilizar a própria recondução, o bloco apoiaria o nome de Dilemário.
No entanto, em julho, o cenário havia ruído. Dilemário anunciou o rompimento e retomada da candidatura independente, impasse que perdurou até o término do prazo regimental sem que houvesse mudanças no Regimento Interno.
A nova configuração do tabuleiro político se desenhou após o projeto que poderia abrir caminho legal para a recondução de Paula Calil ficar fora da pauta das sessões deliberativas. Como a autorização para uma nova candidatura consecutiva dependia diretamente da aprovação dos vereadores para alterar as regras internas da Casa, a inviabilidade da mudança forçou a articulação em torno de novos arranjos de poder.
Do outro lado da disputa, o grupo opositor liderado pela candidatura de Ilde Taques (Podemos) segue mobilizado e articula o respaldo de 15 parlamentares. Entre as baixas na articulação de Dilemário esteve justamente a vereadora Baixinha Giraldelli, que optou por deixar o grupo. Justificando a decisão, Baixinha apontou suposto descumprimento de compromissos assumidos anteriormente, afirmando ter dado a palavra de apoio a Ilde Taques e descartando qualquer possibilidade de recuo.

