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Leia: Defesa critica investigações e questiona mandantes no júri popular do caso Zampieri
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29 de setembro de 2026 12:45

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OpiniãoMT > Blog > Justiça > Defesa critica investigações e questiona mandantes no júri popular do caso Zampieri
Justiça

Defesa critica investigações e questiona mandantes no júri popular do caso Zampieri

Jornalista Mauad
Publicado em: 29 de setembro de 2026
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5 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realiza na manhã desta terça-feira, dia 29 de setembro, o julgamento no Plenário do Júri do Fórum de Cuiabá. A sessão, presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, marca a retomada dos trâmites presenciais após o recente ataque hacker aos sistemas da Corte. No banco dos réus estão Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado em dezembro de 2023.

Foto: Olhar Direto

Antes do início dos trabalhos no plenário, os advogados de defesa dos réus concederam declarações à imprensa, contestando as acusações, criticando os rumos das investigações e apontando supostas falhas e omissões na condução do caso.

A advogada Sarah Quinetti Pironi, que atua na defesa do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pela acusação como um dos articuladores e financiadores do crime, defendeu veementemente a inocência do cliente e comparou a atuação da vítima a figuras de grande expressão financeira.

“A gente tem falado que é um Vorcaro de Cuiabá, o doutor Zampieri. Colocam o coronel Caçadini como financiador de um crime que ele nunca foi. Nós queremos mostrar para a sociedade toda a verdade. E a verdade é que o coronel Caçadini não tem nada a ver. Ele não participou”, declarou Sarah, fazendo referência ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Outro integrante da equipe de defesa de Caçadini, o advogado Jayme Carvalho, expressou forte preocupação com os verdadeiros mandantes do homicídio, sugerindo que os verdadeiros arquitetos do crime estariam impunes e livres.

“Eu fico preocupado dos verdadeiros autores, arquitetos e mandantes estarem passando aqui agora e sorrindo de tudo que nós estamos fazendo. Foi uma investigação sem eira e nem beira, foi uma investigação feita a toque de caixa”, disparou Carvalho.

O também defensor de Caçadini, Silvio Eduardo Polidoro, seguiu a mesma linha de indignação com o teor do inquérito e criticou o sistema de justiça.

“Quanto mais passa, mais abismado a gente fica com esse processo. Quanto mais a gente olha ele, mais sujeira a gente vê que existe nesse Judiciário nosso. É com tristeza que a defesa entra nesse fórum hoje. A única coisa que vocês podem esperar é a verdade. A verdade é incômoda, ela é teimosa, mas ela é insistente. Devagarinho ela vai aparecendo”, afirmou Polidoro.

Foto: Olhar Direto

Por sua vez, o advogado Nilton Ribeiro, responsável pela defesa de Antônio Gomes da Silva, apontado como o executor que efetuou os disparos e confessou o crime, reforçou que a autoria material é um fato incontroverso, mas exigiu que a sessão traga à tona os verdadeiros mandantes e a motivação real por trás do assassinato.

“Tem muita sujeira debaixo desse tapete e provavelmente essa sujeira toda vai vir à tona nesta sessão de julgamento. Eu vim aqui de Curitiba para que a verdade seja revelada. E não vou sair daqui sem a verdade. Quem matou foi o Antônio. Isso é incontroverso. Mas quem mandou, por quê, como foi, vamos ver o que vai acontecer no plenário. Quem matou foi o Antônio, isso é incontroverso. Eu espero que a verdade seja revelada hoje e não vou sair daqui sem a verdade”, pontuou Ribeiro.

O CONTEXTO DO CRIME

O advogado Roberto Zampieri foi morto a tiros aos 56 anos no dia 5 de dezembro de 2023, quando saía de seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo o Ministério Publishing de Mato Grosso (MPMT), o crime foi encomendado e executado em meio a uma complexa disputa judicial pela posse da Fazenda Lagoa Azul, em Ribeirão Cascalheira, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.

A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. A sessão atual ocorre após uma tentativa anterior de júri realizada em 28 de julho, que acabou interrompida e com o Conselho de Sentença dissolvido após um jurado passar mal. Para esta terça-feira, estão previstas oitivas de delegados da Polícia Civil e Federal, analistas de inteligência e testemunhas-chave para esclarecer os fatos em plenário.

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