O Censo 2022 trouxe um retrato atualizado das favelas e comunidades urbanas brasileiras, indicando que 16,3 milhões de moradores vivem nesses territórios e revelando mudanças importantes na forma como o IBGE analisa essas áreas. A nova metodologia amplia a compreensão sobre infraestrutura, mobilidade e condições urbanas, elementos essenciais para o planejamento público.
Nova abordagem do IBGE para mapear favelas
O estudo substitui o antigo termo “aglomerado subnormal” por “favelas e comunidades urbanas”. A mudança reflete um esforço de aprimorar a leitura dos espaços, considerando não apenas a ocupação irregular, mas também fatores como traçado das ruas, circulação de pessoas, acessos disponíveis e características do entorno.
A atualização busca oferecer uma visão mais realista de como esses espaços funcionam no dia a dia. O mapeamento enfatiza particularidades antes pouco observadas, permitindo uma interpretação mais precisa sobre a dinâmica interna e os desafios urbanos enfrentados pelos moradores.
Desafios de infraestrutura e mobilidade nas favelas
As favelas continuam enfrentando obstáculos estruturais significativos. Em centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador e Manaus, comunidades densas ocupam encostas, margens de rios e áreas sujeitas a alagamentos.
Espaços como Rocinha, Heliópolis, Paraisópolis, Terra Firme, Ibura e Cidade de Deus apresentam ruas estreitas e circulação limitada, dificultando a entrada de ambulâncias, veículos de serviço e transporte coletivo. Em muitas áreas, becos, escadarias e a ausência de calçadas tornam a mobilidade bastante complexa.
Iluminação e drenagem
A oferta de iluminação pública varia dentro das comunidades. Trechos iluminados convivem com áreas escuras, o que afeta diretamente a rotina e a segurança. No Norte e em parte do Nordeste, a falta de drenagem e pavimentação intensifica dificuldades de deslocamento, sobretudo em períodos de chuva.
Moradores convivem com vias sem acesso a veículos
Segundo o Censo, 19,2% dos moradores das favelas, cerca de 3,1 milhões de pessoas, viviam, em 2022, em vias acessíveis apenas a pé, de bicicleta ou moto. Fora dessas comunidades, essa condição atingia apenas 1,4% da população.
Pavimentação e drenagem
Em relação à pavimentação, 78,3% (12,7 milhões) dos habitantes das favelas residiam em trechos pavimentados, enquanto 21,7% (3,5 milhões) viviam em áreas sem pavimentação. Fora desses territórios, essa taxa era bem mais alta, chegando a 91,8%.
Menos da metade dos moradores dessas comunidades,45,4%, vivia em vias com bueiros ou bocas de lobo. Nas demais áreas urbanas, esse índice chegava a 61,8%.
Iluminação pública e transporte
A pesquisa mostra ainda que 91,1% (14,7 milhões) dos moradores das favelas tinham iluminação pública nas vias onde vivem. Por outro lado, 8,9% permaneciam em trechos sem luz. Em regiões fora dessas comunidades, o índice subiu para 98,5%.
A presença de pontos de ônibus ou vans era limitada: apenas 5,2% (836 mil) dos moradores das favelas tinham esse serviço próximo às suas casas, menos da metade do registrado em outras áreas urbanas (12,1%).

