*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A convenção estadual do União Brasil realizada na última quinta-feira, dia 30 de julho, na sede da CDL em Cuiabá, passou longe de ser um encontro pacífico ou protocolar. O evento foi palco de embates diretos, vaias, acusações de traição e forte tensão entre as principais lideranças do partido.
O desfecho da reunião sacramentou a vitória da ala liderada pelo presidente da legenda e ex-governador Mauro Mendes, garantindo a aliança e o apoio do partido à candidatura de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás, sepultando o projeto de candidatura própria encabeçado pelo senador Jayme Campos.
A VOTAÇÃO E O RESULTADO
A disputa interna mobilizou a cúpula da legenda e refletiu o racha na sigla. Dos 51 convencionais aptos a votar, 30 votos foram favoráveis à aliança e ao apoio a Otaviano Pivetta, 19 votos apoiaram a tese de candidatura própria com o senador Jayme Campos, 1 voto foi registrado como nulo e 1 abstenção foi contabilizada, vinda do delegado Luiz Fernando Falcão, do município de Santo Afonso.
Apesar da resistência e da forte mobilização do grupo de Jayme Campos, Mendes conseguiu consolidar o placar e assegurar os rumos da aliança majoritária, além de garantir espaço na chapa para o Senado.
CLIMA TEMPO, VAIAS E SAMBA
O evento teve contornos de forte pressão política desde o início. Apoiadores do senador Jayme Campos lotaram o auditório da CDL portando bandeiras e adesivos com o rosto do parlamentar, transformando o local em um reduto de protestos. O grupo entoava gritos e vaiava veementemente qualquer liderança ou nome citado que não estivesse alinhado à candidatura própria de Jayme, contando inclusive com o som de uma banda de samba.
O embate no plenário ficou evidente nas falas das principais figuras do partido. O deputado estadual Dilmar Dal Bosco, aliado de Jayme Campos, abriu as hostilidades ao subir o tom contra o ex-governador Mauro Mendes, acusando-o abertamente de traição dentro do processo político da legenda. Mendes, por sua vez, limitou-se a qualificar o movimento como uma “opção política”.
O confronto ganhou novos contornos quando o deputado estadual Júlio Campos interveio e confrontou diretamente a condução de Mauro Mendes, questionando a validade jurídica de trechos do texto da cédula de votação e alegando que o documento abriria margem para discussões sobre a indicação de vice na chapa de Pivetta. A resposta de Mendes foi imediata.
“Na cédula e nessa votação não existe nenhuma menção sobre o candidato a vice-governador. Portanto, a sua questão de ordem é inócua e eu rejeito”, disparou o presidente da sigla.
O DESABAFO DE JAYME CAMPOS E A DEFESA DE MAURO MENDES
Visivelmente emocionado após a divulgação do resultado, o senador Jayme Campos não poupou críticas à condução do processo e afirmou ter sido derrotado pela força da máquina e pelo peso da articulação governista.
“Tenho certeza de que se eu disputasse ganharia o pleito de 2026. Mas prevaleceu o famoso ‘rolo compressor’, o poderio econômico e, aí, eu não poderia competir. Não foi uma eleição tranquila, transparente e republicana; foi a força do ‘poder do Estado’”, declarou Campos em seu discurso.
“Nunca vi na minha vida, em seis mandatos disputando eleição, uma convenção conduzida assim, de forma draconiana, desigual e desonesta. Se Deus quis decidir que a maioria dos convencionais apoiasse essa coligação, eu respeito. Não faço política na marra ou empurrado goela abaixo”, complementou, assegurando que respeitará o resultado e sai da disputa com o dever cumprido.
Em contrapartida, Mauro Mendes rebateu as acusações de falta de transparência e defendeu a lisura da convenção, justificando a escolha pela coerência administrativa e política.
“Lamento profundamente, mas nada disso foi visto aqui hoje. Tudo o que aconteceu seguiu absolutamente o regulamento eleitoral do partido, uma resolução que nós publicamos e foi validada pela nacional do partido. Ela [a eleição] foi muito transparente. Todos os convencionais foram lá, votaram e expressaram o seu voto. Tenho que dizer claramente e não dizer sobre essa subjetividade que não tem âncora na verdade”, rebateu o ex-governador.
Sobre a decisão de marchar com Pivetta e o racha interno, Mendes pontuou.
“Toda escolha tem alternativas e caminhos. Eu, objetivamente, fiz uma escolha mantendo a coerência. Ele (Pivetta) nunca atrapalhou, é uma pessoa experiente, que já foi três vezes prefeito e ajudou a construir uma das melhores cidades de Mato Grosso, que é Lucas do Rio Verde. Mantive a minha coerência, com a minha história e, acima de tudo, com o bem que eu quero para o nosso povo”.
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Vídeo: Midia News
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