*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A tentativa de devolução de um celular perdido ganhou um contraponto decisivo que coloca em xeque a versão oficial apresentada à Polícia Militar. Novas imagens de câmeras de segurança obtidas pela defesa do entregador Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, contradizem os relatos de que teria havido uma reação violenta por parte da vítima antes de ser baleada pela policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos.
O caso ocorreu na noite da última quarta-feira, dia 22 de julho, no bairro CPA IV, em Cuiabá, e deixou o trabalhador em estado grave. Carlos permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde passou por cirurgia após ser atingido por três disparos, um na perna direita e dois nas costas, dos quais um atravessou o abdômen.
O CONTRAPONTO DAS VERSÕES: LEGÍTIMA DEFESA OU AÇÃO PREMEDITADA?
A versão inicial registrada no boletim de ocorrência baseou-se nos relatos da filha da agente pública. Segundo ela, o aparelho havia sido perdido no último sábado, dia 18 de julho, em um shopping da capital e, após dias de negociação, o entregador teria supostamente exigido compensação financeira para devolvê-lo. A jovem alegou que, ao chegar ao local combinado no CPA IV, a mãe dela deu voz de prisão por extorsão. Nesse momento, o homem teria reagido e tentado tomar a arma da policial penal, forçando-a a efetuar os disparos em legítima defesa.
Contudo, as gravações divulgadas pelo advogado Rodrigo Pouso mostram uma dinâmica completamente diferente.
O que alegou a família da agente: Que o homem agiu com agressividade, entrou em luta corporal e tentou desarmar a policial penal. Carlos chega ao local de moto e entrega o aparelho de celular. Em seguida, sem que haja qualquer investida, agressão ou tentativa de desarmá-la por parte do entregador, a policial saca a arma e atira.
A gravação revela que os tiros atingiram a vítima pelas costas no momento em que ele tentava se afastar. Havia, inclusive, crianças na rua no momento da ação. Gravemente ferido, Carlos ainda tentou fugir na motocicleta, mas cai poucos metros adiante.
Após o ocorrido, a policial penal deixou o local antes mesmo da chegada das equipes policiais. Para a defesa e a família da vítima, os vídeos comprovam que se tratou de uma ação desmedida e premeditada contra um homem que apenas realizava a entrega do objeto.
ENTENDA O CASO E A SITUAÇÃO JURÍDICA
As investigações apontam que as negociações para a entrega do celular vinham ocorrendo há três dias. A família de Carlos afirma que ele é um homem trabalhador, sem antecedentes criminais, e que não participou de nenhuma tentativa de extorsão ou roubo do aparelho.
Apesar de autuado em flagrante na data do crime pelos crimes de extorsão e adulteração de sinal identificador de veículo, devido à moto que pilotava estar com fita adesiva na placa e o licenciamento vencido, o entregador teve a liberdade concedida pela Justiça durante audiência de custódia realizada de forma online.
Com a divulgação das imagens que desmentem a narrativa de legítima defesa, o caso segue sob apuração das autoridades competentes para conferir as devidas responsabilidades sobre a conduta da policial penal e a gravidade das lesões causadas ao entregador.
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