*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Câmara Municipal de Cuiabá deu um passo controverso que levanta dúvidas sobre a transparência. Um projeto de resolução que visa dificultar o processo de cassação de vereadores foi aprovado com ampla maioria, blindando o mandato em meio a escândalos de corrupção.
A votação ocorreu justamente no dia em que dois vereadores, acusados supostamente de envolvimento em esquemas de corrupção, retomaram seus mandatos na Casa.
ENTENDA O PROJETO
O projeto aprovado altera o Regimento Interno da Câmara, tornando o processo de cassação mais complexo e exigente. Na prática, a medida dificultaria que o plenário aplique a punição máxima a parlamentares envolvidos em quebras de decoro ou atos ilícitos, para garantir a permanência de vereadores sob investigação.
VOTOS PELA BLINDAGEM
A aprovação do texto contou com a adesão de uma vasta coalizão de vereadores, que garantiram o resultado necessário para alterar o Regimento Interno.
Votaram favoráveis ao texto:
-Baixinha Giraldelli (Solidariedade)
-Eduardo Magalhães (Republicanos)
–Kássio Coelho (Podemos)
–Marcrean Santos (MDB)
-Wilson Kero Kero (PMB)
-Jeferson Siqueira (PSD)
-Katiuscia Manteli (PSB)
-Sargento Joelson (PSB)
–Ten. Coronel Dias (Cidadania)
–Prof. Mário Nadaf (PV)
–Michelly Alencar (União Brasil)
-Daniel Monteiro (Republicanos)
-Maysa Leão (Republicanos)
-Alex Rodrigues (PV)
-Maria Avalone (PSDB)
–Demilson Nogueira (PP)
-Chico 2000 (PL)
–Adevair Cabral (Solidariedade)
–Ilde Taques (PSB)
A presidente da Casa, Paula Calil (PL), e os vereadores Doutora Mara (Podemos) e Dídimo Vovô (PSB) também votaram favoráveis à medida, em separado.
Quatro vereadores não estavam presentes na sessão e, por isso, não participaram da votação: Marcus Brito (PV), Dilemário Alencar (União), Samantha Íris (PL) e Cezinha Nascimento (União).
RETORNO DOS ACUSADOS E BLINDAGEM IMEDIATA
O clima da sessão foi particularmente tenso, pois coincidiu com o retorno de dois vereadores que estavam afastados sob acusações de corrupção que estão sendo investigadas pela polícia. Eles são investigados por supostamente terem recebido propina dentro dos próprios gabinetes para que aprovassem projeto.

