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Leia: Brasil atinge 32,5 milhões de trabalhadores autônomos sem carteira assinada
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7 de março de 2026 08:49

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OpiniãoMT > Blog > Economia > Brasil atinge 32,5 milhões de trabalhadores autônomos sem carteira assinada
Economia

Brasil atinge 32,5 milhões de trabalhadores autônomos sem carteira assinada

Mais de 32 milhões de brasileiros atuam como autônomos ou sem registro formal, evidenciando a precarização nas relações de trabalho.

última atualização: 1 de maio de 2025 14:28
Redação OPMT
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4 Minutos de Leitura
Brasil atinge 32,5 milhões de trabalhadores autônomos sem carteira assinada
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O Brasil conta atualmente com cerca de 32,5 milhões de trabalhadores atuando de forma informal, entre autônomos sem CNPJ e empregados do setor privado sem carteira assinada. Esse número, equivalente a 31,7% da população ocupada, reflete um cenário crescente de precarização nas relações de trabalho, como mostram os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Crescimento do número de trabalhadores autônomos

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE, o número de autônomos informais e trabalhadores sem carteira assinada no setor privado cresceu quase 10% nos últimos cinco anos. 

Em 2020, o total era de 29,7 milhões de pessoas; atualmente, são 32,5 milhões. A tendência, segundo especialistas, é impulsionada por transformações nas dinâmicas de contratação e pela ausência de garantias legais em novos modelos de trabalho.

Os dados não incluem trabalhadores domésticos sem registro, funcionários públicos sem carteira assinada ou empregadores sem CNPJ, o que poderia elevar ainda mais os índices de informalidade.

Plataformas digitais e a “plataformização” do trabalho

A crescente adesão às plataformas digitais de transporte e entrega é um dos fatores apontados para o aumento da informalidade. Trabalhadores que utilizam aplicativos para prestar serviços geralmente atuam como autônomos, sem qualquer vínculo formal com as empresas. 

A flexibilização de horários e a promessa de autonomia são atrativos, mas vêm acompanhados da ausência de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, 13º salário e proteção previdenciária.

Dados da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) indicam que mais de 2,2 milhões de brasileiros atuam nessa modalidade. Uma pesquisa do Cebrap aponta que a flexibilidade de horário e os rendimentos são os principais atrativos, embora muitos desses profissionais precisem trabalhar até 16 horas por dia para atingir a renda de um trabalhador com carteira assinada.

Diferenças salariais e condições de trabalho

Segundo o IBGE, o rendimento médio mensal de um trabalhador formal é 51% superior ao de um autônomo sem CNPJ. Enquanto os registrados ganham, em média, R$ 3.145, os informais recebem cerca de R$ 2.084. A disparidade evidencia a vulnerabilidade enfrentada por autônomos, que também precisam arcar com todos os custos da atividade, como manutenção de veículos, equipamentos e seguros.

Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a plataformização do trabalho acentuou a precarização, reduzindo a renda média, aumentando a carga horária e limitando o acesso à previdência.

Pejotização e seus impactos

Nem todos os trabalhadores autônomos estão na informalidade. Muitos atuam como pessoa jurídica (PJ), o que representa um contingente de 6,8 milhões de pessoas, segundo o IBGE. No entanto, especialistas alertam para os riscos da chamada “pejotização”, quando empresas contratam trabalhadores como PJ para evitar encargos trabalhistas, mesmo em situações que configuram vínculo empregatício.

Essa prática, segundo o Ipea e o Ministério Público do Trabalho, promove insegurança jurídica e perda de direitos, como FGTS, seguro-desemprego e estabilidade em caso de doença ou acidente. A pejotização é alvo de análise no Supremo Tribunal Federal, que suspendeu todos os processos sobre o tema até decisão final.

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