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Leia: ‘Barriga de chope’ prejudica mais ao coração que obesidade, aponta estudo
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OpiniãoMT > Blog > Saúde > ‘Barriga de chope’ prejudica mais ao coração que obesidade, aponta estudo
Saúde

‘Barriga de chope’ prejudica mais ao coração que obesidade, aponta estudo

Estudo indica que gordura abdominal ligada à barriga de chope provoca mudanças estruturais no coração, mesmo em pessoas sem diagnóstico prévio.

última atualização: 16 de fevereiro de 2026 16:01
Redação OPMT
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5 Minutos de Leitura
'Barriga de chope' prejudica mais ao coração que obesidade, aponta estudo
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A concentração de gordura na região abdominal, conhecida popularmente como barriga de chope, pode representar risco maior ao coração do que o próprio peso corporal total. A conclusão é de um estudo apresentado no fim de 2025 durante congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), nos Estados Unidos, que analisou como a distribuição da gordura interfere na estrutura cardíaca.

A pesquisa avaliou mais de 2,2 mil homens e mulheres com idades entre 46 e 78 anos. Todos passaram por exames detalhados de ressonância magnética cardíaca. O objetivo foi comparar dois indicadores amplamente utilizados na prática médica: o índice de massa corporal (IMC), que considera o peso em relação à altura, e a relação cintura-quadril, parâmetro que mede o acúmulo de gordura abdominal.

Os resultados mostraram que a gordura concentrada no abdômen esteve mais relacionada a alterações estruturais do coração do que o excesso de peso global indicado pela balança.

Barriga de chope e impacto direto no coração

De acordo com os pesquisadores, o acúmulo abdominal está associado à chamada gordura visceral, que se deposita profundamente na cavidade abdominal e envolve órgãos como fígado e intestino. Diferentemente da gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral é metabolicamente ativa.

Essa característica faz com que ela libere substâncias inflamatórias na circulação sanguínea, contribuindo para um estado de inflamação crônica de baixo grau. Esse processo está ligado a fatores como resistência à insulina, alterações nos níveis de colesterol e aumento da pressão arterial — condições que elevam a sobrecarga do coração.

No estudo apresentado na RSNA, foi identificado um remodelamento progressivo do músculo cardíaco à medida que aumentava a relação cintura-quadril. Os exames de imagem apontaram espessamento das paredes do ventrículo esquerdo, acompanhado de redução do espaço interno das cavidades cardíacas.

Como o remodelamento cardíaco compromete a função

O coração precisa manter equilíbrio entre força e flexibilidade para desempenhar sua função de bombear sangue. Com o espessamento muscular, provocado por esforço contínuo contra maior resistência vascular, o órgão perde parte da capacidade de relaxamento.

Na prática, isso significa que, embora ainda consiga contrair, o coração passa a ter dificuldade para se encher adequadamente de sangue entre os batimentos. Esse quadro pode evoluir para um tipo de insuficiência cardíaca em que a fração de ejeção permanece preservada, mas o enchimento fica comprometido.

Inicialmente, o organismo tenta compensar essa limitação com aumento da frequência cardíaca. Com o tempo, porém, a adaptação deixa de ser suficiente e a eficiência do bombeamento diminui de forma progressiva, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes.

Segundo os pesquisadores, essas alterações foram detectadas inclusive em participantes sem diagnóstico prévio de doença cardiovascular, o que reforça o caráter silencioso do problema.

Diferenças entre homens e mulheres

O estudo também identificou distinções relevantes entre os sexos. Embora homens e mulheres apresentem impactos associados à obesidade abdominal, os efeitos estruturais no coração foram mais acentuados nos homens.

Uma das explicações está no padrão de distribuição de gordura. Homens tendem a acumular gordura no padrão androide, concentrada no abdômen, o que favorece maior proporção de gordura visceral. Já mulheres, especialmente antes da menopausa, apresentam mais frequentemente o padrão ginoide, com depósito em quadris e coxas, onde predomina a gordura subcutânea.

Aspectos hormonais também influenciam esse cenário. O estrogênio exerce papel protetor sobre o sistema cardiovascular e interfere na forma como a gordura é armazenada no corpo. Com a redução desse hormônio após a menopausa, a proteção diminui e o risco feminino se aproxima do observado entre os homens.

Além disso, diferenças na resposta inflamatória podem contribuir para o agravamento das alterações cardíacas no sexo masculino, uma vez que níveis mais elevados de inflamação sistêmica associados à gordura visceral tendem a acelerar o processo de remodelamento do músculo cardíaco.

A importância da prevenção precoce

Os dados apresentados indicam que a avaliação da distribuição de gordura corporal pode ser determinante para identificar riscos cardiovasculares antes do surgimento de sintomas. A simples análise do peso total pode não refletir adequadamente o impacto metabólico do acúmulo abdominal.

Especialistas destacam que medidas preventivas devem ser adotadas precocemente, com foco em mudanças de estilo de vida, controle alimentar, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. A identificação antecipada de alterações estruturais aumenta as chances de evitar evolução para quadros mais graves.

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