A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso deliberou o encaminhamento de cinco pontos relacionados à demissão de 56 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Baixada Cuiabana.
Entre as medidas estão o pedido de revisão das demissões, esclarecimentos sobre a desativação de unidades e a ampliação do debate sobre a cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o Samu e o Corpo de Bombeiros.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma-MT), Carlos Mesquita, afirmou que “parece que a saúde de Mato Grosso está uma maravilha”. Segundo ele, a cobertura por município é diferente por cobertura populacional.
“Quando foi instalado o Samu, foi dado prioridade onde tinha maior quantidade da população, se alguém é culpado de o Samu não atingir todos os municípios é do governo do estado. Durante sete anos, o governo teve a oportunidade de fazê-lo, mas não o fez. A população de Cuiabá e Várzea Grande estão sendo penalizadas pela falta de pessoal. Hoje, 56 profissionais do Samu foram descartados pelo governo”, explicou Mesquita.
Para a enfermeira Patrícia Ferreira, nos últimos sete anos, o Samu foi sucateado pelo governo do estado, principalmente em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo ela, em julho de 2025, tinha 12 unidades (ambulâncias), já em janeiro esse número chegou a oito unidades.
“Mas em março deste ano, o governo demitiu 56 profissionais e haveria uma lista de apenas dez contatados que seriam renovados. Com isso, ficou impossível atender a população. Isso sem contar na redução de investimentos no setor. Nesse ínterim, houve a redução das ambulâncias do Samu e, com isso, aumento dos serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros”, afirmou Ferreira.
De acordo com o presidente da comissão, deputado Dr. Eugênio (Republicanos), o governo deve rever a demissão dos 56 profissionais do Samu desligados em março. Outro ponto discutido é entender por que cinco unidades foram desativadas (não estão em funcionamento), além de incluir o serviço no debate de cooperação técnica junto à SES, visando à efetivação do atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso.
OUTRAS SUGESTÕES APRESENTADAS
Durante a votação do encaminhamento, mais duas sugestões foram apresentadas à votação. O deputado Paulo Araújo (Republicanos) sugeriu colocar no debate a convocação do concurso público para a categoria. Já o deputado Lúdio Cabral (PT), que está em licença, propôs que a comissão discuta com o Ministério da Saúde, na próxima terça-feira, dia 28 de abril, as possíveis renovações dos contratos das 56 demissões dos profissionais do Samu.
“Nós queremos as renovações imediatas dos contratos dos 56 profissionais demitidos pelo estado. Está claro que o trabalho da atenção pré-hospitalar em Mato Grosso está desfalcado com a ausência desses profissionais especializados e qualificados em campo. É preciso sair daqui com uma posição sobre a renovação do contrato desses profissionais e discutir essas demissões com o Ministério Saúde”, disse Cabral.
O OUTRO LADO
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, que está à frente da pasta há 20 dias, afirmou que existe um termo de cooperação técnica entre a SES e o Corpo de Bombeiros Militar na ampliação do serviço de atendimento pré-hospitalar no estado. Esse debate, segundo ele, começou em junho do ano passado.
“A cooperação vem para aumentar a cobertura, melhorar o serviço, principalmente nos municípios do interior, onde não tem Samu”, explicou o secretário.
Melo afirmou ainda que o serviço está presente em 24 municípios e que existe um projeto de ampliação para outros 28, representando quase 60% dos municípios que não têm atendimento pré-hospitalar.
“Com a cooperação com o Samu, a gente passa a aumentar bem essa cobertura, porque a gente padroniza tanto o comando do pré-hospitalar assim como também os tempos de resposta”, disse o secretário.
Em relação aos 56 profissionais demitidos, o secretário Juliano Melo afirmou que hoje há 38 contratos ainda pendentes e que os restantes já foram renovados em outras unidades e até mesmo no Samu. “Isso muda todo dia. Nossa proposta foi o de conciliação e que atenda a necessidade do SES”, disse o secretário.
Melo explicou que a cooperação à Baixada Cuiabana saiu de 12 unidades de atendimento pré-hospitalar para 25. “Nós aumentamos em quase 40% o número de atendimento e a abrangência de cobertura, como era para ser feito há muitos anos e que agora permite fazer”, disse o secretário.
*Elzis Carvalho

