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3 de outubro de 2026 07:50

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OpiniãoMT > Blog > Artigos > ARTIGO: Abra os olhos
Artigos

ARTIGO: Abra os olhos

Jornalista Mauad
Publicado em: 3 de outubro de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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Há um claro indicativo de que a velha política não apenas sobreviveu, mas se aperfeiçoou para continuar mantendo seu domínio. Entretanto, e por incrível que pareça, ainda há quem a alimente por acreditar que ter seus velhos caciques, estruturas tradicionais e conveniências institucionais como parceiros de caminhada pode ser um bom negócio.

Bom negócio para quem, senhoras e senhores eleitores?

Para os partidos barganharem espaços de poder e verbas bilionárias no orçamento público? Para as negociações de apoio em comissões parlamentares de fachada, votações virtuais a jato e negociações de bastidor? Será como pagamento por serviços prestados e/ou a prestar na distribuição sem transparência das emendas parlamentares?

E o que dizer de quando o próprio debate democrático é emparedado? É lamentável ver as recentes decisões do TSE e do STF interferirem diretamente nas regras e na realização dos encontros entre candidatos, alterando prazos, proibições e obrigações a ponto de inviabilizar o debate presidencial na reta final do pleito. Quando a Justiça Eleitoral passa a desenhar os limites do que o eleitor pode ou não assistir, o direito à informação da população é o primeiro a ser sacrificado.

É inadmissível continuar com tanta inconsequência no momento em que a cobrança por integridade, responsabilidade fiscal, transparência e respeito ao livre debate de ideias é tão urgente para o futuro do país.

É urgente por um fim no toma-lá-dá-cá na política, tão prejudicial para o futuro do país.

Será que os eleitores continuarão aceitando esse ciclo vicioso? Não, não é mais possível continuar a existir tamanha submissão ao cabresto moderno na hora do voto — seja ele imposto por conveniências partidárias ou por decisões tutelares que tolhem o direito do cidadão de confrontar propostas.

Precisamos vencer definitivamente o paradigma do “voto pragmático” — aquele voto de cabresto disfarçado de conveniência, em que o eleitor aciona o botão verde pensando em favores de curto prazo enquanto entrega os rumos da nação.

É preciso dar um choque de realidade na forma ultrapassada de fazer, aceitar e se submeter à política tradicional.

Essa é a principal causa de ainda termos representantes votando contra reformas estruturantes, especialmente aquelas que visam enxugar a máquina pública, cortar despesas desnecessárias e acabar com privilégios corporativos transformados em “direitos adquiridos”.

Muitos dos articulistas, políticos e atores de ocasião continuam resistindo a qualquer mudança real na relação entre os Poderes da República e na garantia de eleições limpas e transparentes. Por que será?

Sequer escondem o incômodo diante de qualquer tentativa de trazer fiscalização, luz sobre o gasto público e independência entre as instituições. Preferem manter a população alienada, sem confrontos diretos de ideias, enquanto garantem a perpetuação dos seus próprios arranjos de poder.

Não devemos nem podemos mais aceitar passivamente o cerceamento do debate nem votar em representantes que simbolizem o retrocesso ou o risco de manutenção desse sistema de privilégios escancarado.

É hora de encarar os fatos sem ilusões.

Abra os olhos.

*Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil.

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