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Leia: ARTIGO: A Pedagogia da alternância e o risco de limitar horizontes educacionais
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21 de outubro de 2026 20:38

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OpiniãoMT > Blog > Artigos > ARTIGO: A Pedagogia da alternância e o risco de limitar horizontes educacionais
ArtigosHaroldo Arruda

ARTIGO: A Pedagogia da alternância e o risco de limitar horizontes educacionais

Jornalista Mauad
Publicado em: 5 de junho de 2026
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3 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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A principal crítica à Pedagogia da Alternância é que ela pode transformar a escola em um instrumento de adaptação do aluno à sua realidade atual, quando sua missão deveria ser justamente ampliar horizontes e criar oportunidades para além dessa realidade.

A educação não deve apenas ensinar o estudante a viver no ambiente em que nasceu. Deve capacitá-lo a escolher livremente seu futuro. Quando a escola concentra grande parte de seus esforços na realidade local, especialmente na atividade rural, corre o risco de reduzir o acesso dos jovens aos conhecimentos universais da ciência, da tecnologia, da filosofia, da matemática avançada e das profissões que exigem elevada qualificação acadêmica.

Enquanto estudantes das áreas urbanas são preparados para competir por vagas em universidades, carreiras públicas, profissões liberais e setores tecnológicos, muitos alunos submetidos à lógica da alternância acabam recebendo uma formação excessivamente vinculada ao contexto produtivo local. Isso pode criar uma desigualdade educacional disfarçada de valorização cultural.

A escola deve ser uma janela para o mundo, não apenas um espelho da realidade do estudante. O papel da educação pública é democratizar o acesso ao conhecimento produzido pela humanidade, independentemente da origem social ou geográfica do aluno.

Outro problema é que a Pedagogia da Alternância frequentemente depende das condições da família e da comunidade para complementar o processo educativo. Isso faz com que a qualidade da formação deixe de ser responsabilidade exclusiva da instituição escolar, criando diferenças entre alunos conforme a estrutura econômica e cultural de suas famílias.

Além disso, há o risco de que políticas públicas baseadas nessa metodologia acabem institucionalizando uma educação diferente para populações rurais, estabelecendo, na prática, um modelo educacional de segunda categoria. Em vez de garantir ao jovem do campo as mesmas oportunidades oferecidas aos estudantes dos grandes centros urbanos, cria-se uma formação adaptada às condições locais, perpetuando desigualdades históricas.

Uma educação verdadeiramente emancipadora deve permitir que o filho do agricultor possa ser agricultor por escolha, mas também médico, engenheiro, professor universitário, cientista ou empresário. A função da escola não é definir o destino do estudante, mas oferecer as ferramentas para que ele próprio o escolha.

Por essa razão, a Pedagogia da Alternância pode ser vista não como um instrumento de emancipação, mas como um modelo que, embora bem-intencionado, corre o risco de limitar a mobilidade social e restringir o acesso pleno ao conhecimento universal.

*Haroldo Arruda, Professor Dr em Filosofia e Comunicação

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