O Drex, iniciativa do Banco Central (BC) para criar o chamado “real digital”, será desativado na próxima segunda-feira (10). Após mais de quatro anos de desenvolvimento, o projeto piloto do Drex enfrentou diversos desafios relacionados à transparência, segurança da informação e preocupações sobre possível hipervigilância governamental.
Segundo informações divulgadas pelo portal Blocknews, o Banco Central decidiu encerrar a atual infraestrutura do Drex e iniciar a criação de uma nova plataforma para a moeda digital. Ainda não há confirmação se essa nova fase utilizará a tecnologia blockchain, embora os indícios apontem que o órgão deverá optar por outro tipo de estrutura tecnológica.
Por que o Drex será descontinuado
A rede utilizada pelo Drex, baseada na blockchain Hyperledger Besu, não conseguiu atender plenamente às exigências de privacidade e segurança consideradas essenciais para operações financeiras em larga escala.
Em agosto, o próprio BC já havia sinalizado a possibilidade de abandonar o uso da blockchain durante a terceira fase do projeto piloto, alegando que a tecnologia ainda precisava amadurecer antes de ser implementada em um sistema financeiro de abrangência nacional.
Nova fase do Drex e o cenário internacional das moedas digitais
Com o abandono do Drex, o Banco Central do Brasil segue a tendência de outras autoridades monetárias que vêm reduzindo investimentos em moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).
Um levantamento da Nexa Finance, publicado em outubro deste ano, revelou que 137 países e blocos econômicos estavam pesquisando ou desenvolvendo CBDCs em 2025. Contudo, apenas cinco avançaram da fase de pesquisa para a etapa de desenvolvimento efetivo.
Enquanto o interesse por CBDCs diminui, as stablecoins — criptomoedas estáveis lastreadas em moedas tradicionais — registram crescimento significativo no mercado global, tornando-se uma alternativa de digitalização financeira mais consolidada.
Possíveis aplicações e prioridades da nova estrutura
De acordo com o Blocknews, a nova fase do projeto não definirá de imediato uma tecnologia específica. O Banco Central pretende identificar casos práticos de uso antes de desenvolver a nova infraestrutura digital.
Entre as áreas que devem receber prioridade estão:
- Open Finance, com foco na integração segura de dados financeiros;
- Pix e pagamentos instantâneos, visando maior interoperabilidade e liquidação ágil;
- Tokenização de ativos, incluindo títulos públicos e privados;
- Infraestrutura de dados financeiros, com reforço em privacidade e proteção de informações.
O objetivo é criar um ecossistema digital mais eficiente e flexível, superando as limitações observadas no modelo blockchain testado com o Drex.
O impacto do fim do Drex no mercado financeiro
A desativação do Drex teve impacto direto sobre as instituições financeiras e empresas de tecnologia que participaram da fase de testes. Grandes nomes como Itaú, BTG Pactual, Santander, Microsoft, Visa e Vortx haviam investido tempo e recursos na adaptação de suas soluções à plataforma.
Com o desligamento, parte dessas empresas pretende continuar explorando projetos de tokenização e inovação financeira, aproveitando o conhecimento adquirido no Drex. Outras, no entanto, decidiram redirecionar investimentos para áreas de inteligência artificial e análise de dados financeiros preditivos.

