*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O advogado Bruno Oliveira Castro se manifestou oficialmente sobre a Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã da última segunda-feira, dia 8 de junho. O jurista, que figura entre os oito alvos investigados por um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou de forma categórica qualquer envolvimento em práticas ilícitas.
Por meio de nota oficial, Castro afirmou que atua dentro da ética profissional e que as menções a diálogos ou contatos que o envolvem foram retiradas de contexto. Ele destacou, ainda, que antecipou-se às medidas judiciais e já havia se colocado espontaneamente à disposição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para colaborar com as investigações.
LEIA A NOTA DO ADVOGADO NA ÍNTEGRA
Diante da Operação “Gemini”, deflagrada nesta data, e das notícias que associaram indevidamente meu nome à investigação em curso, venho a público, com serenidade e firmeza, negar de forma categórica a prática de qualquer ato ilícito no exercício da advocacia.
A propósito, é importante mencionar que, muito antes de qualquer medida judicial, coloquei-me espontaneamente à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, inclusive perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Procuradoria-Geral da República, no interesse da investigação e da verdade.
No que se refere aos contatos a mim atribuídos, faz-se necessário esclarecer que estão descontextualizados e não correspondem à realidade dos fatos. Jamais solicitei, intermediei ou realizei qualquer tratativa ilícita.
Por conseguinte, confio que a apuração, conduzida com imparcialidade, demonstrará exatamente isso, uma vez que sempre exerci a advocacia dentro dos limites da lei, da ética profissional e das prerrogativas da função.
Registro, por fim, minha confiança na Justiça e nas instituições, bem como meu integral respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência, certo de que a verdade prevalecerá.
Cuiabá/MT, 08 de junho de 2026.
BRUNO OLIVEIRA CASTRO
OAB/MT 9.237
ENTENDA O CASO
A Operação Gemini é um desdobramento direto da Operação Sisamnes e apura esquemas de corrupção, advocacia administrativa e lavagem de capitais no Judiciário mato-grossense, além do suposto vazamento de dados do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Expedidas pelo STJ, as ordens judiciais incluíram buscas domiciliares e pessoais, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. Entre os alvos centrais estão o advogado Bruno Castro, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador afastado do TJMT, Dirceu dos Santos.
OSTENTAÇÃO E APREENSÕES MILIONÁRIAS
Durante as buscas e apreensões realizadas na segunda-feira, a Polícia Federal confiscou itens de alto valor e armas de fogo nos endereços dos investigados. Foram apreendidos fuzil, revólver, munições e 11 canetas de luxo da marca Montblanc, com valores entre R$ 7 mil e R$ 11 mil a unidade. O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a apreensão de um relógio da marca Rolex avaliado em mais de R$ 200 mil.
O ESQUEMA DE R$ 3,2 milhões E A EVOLUÇÃO PATRIMONIAL
De acordo com as investigações da PF, a organização criminosa movimentou pelo menos R$ 3,2 milhões em espécie através de depósitos e saques pulverizados. A suspeita é de que o dinheiro seja fruto de propina paga por empresas do agronegócio que possuíam litígios de terras tramitando no TJMT.
O magistrado, afastado pelo CNJ desde março por evolução patrimonial incompatível, acumulou mais de R$ 16 milhões em cinco anos.
Entre os bens suspeitos está um apartamento de R$ 1 milhão no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, adquirido por meio de uma suposta permuta com o deputado Faissal Calil.
A Polícia Federal aponta Faissal, que foi assessor de gabinete de Dirceu entre 2017 e 2018, como o “braço operacional” do magistrado.
DEPUTADO TAMBÉM NEGA ACUSAÇÕES
Assim como o advogado Bruno Castro, o deputado estadual Faissal Calil refutou qualquer acusação de ilegalidade. Ele afirmou que recebeu os agentes com tranquilidade e entregou voluntariamente seu aparelho celular e as senhas de acesso à nuvem.
Faissal explicou que se afastou completamente das funções e contatos do Judiciário assim que assumiu o mandato na Assembleia Legislativa.

