Sêmia Mauad/ Opinião MT
Um passeio escolar que deveria ser um presente de aniversário transformou-se em um pesadelo para Elaine da Cunha e sua família. Em junho do ano passado, o filho dela, então com 15 anos, sofreu uma queda grave durante excursão organizada pelo Colégio CAD, de Sinop (MT), ao Sesc Pantanal, em Poconé.
Quase um ano após o acidente, a família ainda busca respostas e assistência, de acordo com a mãe do adolescente.
Segundo Elaine da Cunha, o adolescente era alegre, participativo e exemplar:
“Meu filho é inteligente, participativo, ganhou medalha em Olimpíada de Matemática, o boletim dele é nota 10. Obediente, dedicado, brincalhão, jogava basquete e gostava muito de esportes. Até hoje (após o queda acidental) está comendo comida triturada”, relata a mãe, emocionada.
Elaine conta que inicialmente não queria permitir a viagem, mas cedeu após o pedido do filho: “Ele pediu a viagem como presente de aniversário. Disse: ‘Todos os meus amigos vão, e eu não?’ Nunca havia deixado meu filho sozinho.”
Em um depoimento comovente, Elaine relembra o momento em que recebeu a ligação, que relatava sobre o ocorrido:
“Um professor me ligou e disse que meu filho tinha caído, estava sangrando muito e quebrou a perna. Fui correndo de Sinop para Cuiabá com meu esposo. Quando cheguei no hospital, me deparei com uma cena de terror, uma imagem que jamais vou esquecer.”
Elaine afirma ter recebido informações desencontradas sobre o que realmente aconteceu.
“Os professores me abordaram com frieza. Só diziam: ‘Mãe, eu não sei o que aconteceu.’ Quando vi meu filho na maca, todo ensanguentado, desesperei. O bombeiro me disse que ele havia caído de mais de 15 metros de altura.”
O adolescente ficou vários dias internado na UTI, com múltiplas fraturas na face, pélvis, bacia e mandíbula, além de ter perdido alguns dentes, segundo a família dele.
“Ele está vivo por um milagre divino e pela equipe médica”, afirma a mãe. Desde então, o adolescente segue em tratamento físico e psicológico, ainda com procedimentos cirúrgicos pendentes.
Segundo Elaine, as despesas médicas estão sendo arcadas pela família:
“Não sei quanto gastamos. Nossa única preocupação era ver nosso filho bem. Não recebemos nenhuma ajuda da escola.”
Ela também relata dificuldade na comunicação com a instituição:
“De início, procurei a escola e eles disseram que não tinham nada para falar comigo, que era para eu procurar o jurídico. Não tive explicações claras. A escola foi imprudente, deixando as crianças sozinhas, sem supervisão”, destacou ela.
Diante do trauma e das dificuldades, a família decidiu buscar judicialmente a responsabilização da escola e garantir que o adolescente receba o tratamento necessário.
“Nossa principal preocupação sempre foi a vida dele. Agora queremos que ele tenha uma vida mais saudável”, conclui a mãe.
De acordo com relato da escola, a vítima e outros estudantes, estavam na sala de leitura, que fica no segundo andar do Sesc Pantanal, quando o menor teria, sem intenção, danificado parte do forro de gesso do local. Após o episódio, teria sido repreendido pelos próprios colegas e, em seguida, desapareceu. Os monitores da escola então foram avisados pelos alunos. O menor teria se desequilibrado e caído do prédio, de forma acidental, de uma altura não determinada.
Em boletim de ocorrência, o Hotel Sesc Pantanal informou que prestou todo o socorro necessário ao adolescente e que uma enfermeira permaneceu com ele até a chegada do resgate. Além disso, relatou que os demais estudantes receberam apoio psicológico após a queda do menor. O estudante de 15 anos foi encaminhado pelo SAMU para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Poconé.
A excursão fazia parte do projeto “Pantanal ao Vivo e a Cores”, realizado há mais de oito anos pela escola, sem registro anterior de acidentes.
POSICIONAMENTO DO COLÉGIO CAD
Em nota oficial enviada por sua assessoria jurídica, a Cooperativa de Trabalho de Educadores de Sinop (COOPES), mantenedora do Colégio CAD, afirmou que o acidente foi um “evento isolado” e que a queda ocorreu após o aluno “depredar parte de um teto de gesso” do hotel.
Segundo o colégio, o estudante foi “prontamente socorrido e encaminhado a hospital com plena capacidade de atendimento”. O representante da escola teria permanecido no hospital até a chegada dos pais.
Ainda conforme a instituição, após o retorno do adolescente à sua residência, a escola procurou a família para oferecer apoio, mas a visita “não foi bem recebida”. A nota também destaca que, embora a assessoria jurídica tenha sido procurada por um representante da família, “nunca houve pedido formal de auxílio” e que os diálogos foram informais.
O colégio acrescenta que o aluno não frequenta mais a instituição, tendo sido transferido a pedido da família, e que “os representantes legais do menor buscam, ainda que infundadamente, uma indenização milionária”.
Por fim, o colégio enfatiza que se trata de um “evento isolado, ocorrido de forma acidental, por culpa exclusiva do menor”, e critica publicações feitas pela família em redes sociais, que, segundo a nota, “não refletem a realidade atual”.
LEIA A NOTA OFICIAL FORNECIDA PELO COLÉGIO POR MEIO DA ASSESSORIA JURÍDICA
A COOPERATIVA DE TRABALHO DE EDUCADORES DE SINOP – COOPES, mantenedora do Colégio CAD – Colégio Avançado de Desenvolvimento Educacional, por sua assessoria jurídica, vem através deste para prestar as seguintes informações:
Primeiramente agradecemos o contato oportunizando ao Colégio as informações pertinentes, as quais julgamos necessária para esclarecimento completo dos fatos, independentemente de quaisquer julgamentos, bem como registramos que não é a primeira vez que a responsável legal do menor J.V.T diligência à órgãos de notícia imputando as acusações mencionadas no referido e-mail, e sempre que o Colégio é contactado, são prestados os esclarecimentos sobre os fatos.
Conforme noticiado, há onze meses, junho de 2024, durante uma excursão escolar no SESC Pantanal, o menor, então aluno do Colégio, após depredar parte de um teto de gesso do referido hotel, acidentalmente, caiu de uma altura não definida.
Diante do ocorrido o aluno foi prontamente socorrido e encaminhado a hospital que possuía plena capacidade de atendimento, executando todos os procedimentos necessários para seu restabelecimento. O representante do colégio somente deixou o hospital quando os responsáveis legais do menor ali já se encontravam.
Com o retorno do menor ao seu lar, o colégio, mesmo em se tratando de um acidente, por liberalidade, se diligenciou até a residência do aluno para acompanhamento do mesmo e possível auxílio naquilo que fosse necessário, porém se observou que a visita não foi bem recebida pelos representantes legais.
Diante dos fatos, o colégio sempre se manteve a disposição dos responsáveis legais, sendo que essa assessoria jurídica chegou a ser procurada por um representante da família, porém nunca houve pedido formal de auxílio e todos os diálogos sempre foram informais, mas, temos conhecimento que, felizmente, o menor se encontra bem. O aluno não mais frequenta o colégio, sendo que a transferência do mesmo se deu por pedido dos representantes legais.
É do conhecimento do Colégio também, que o objetivo dos representantes legais do menor é a busca, ainda que infundada, de uma indenização milionária.
Destacamos ainda que os representantes legais do menor constantemente publicam mensagens sensacionalistas em redes sociais relatando o acidente ocorrido com imagem do menor que não reflete a realidade atual, bem como já exposto, busca órgãos da imprensa com acusações infundadas e que não refletem a realidade.
Por fim, mais uma vez há que ser exposto que o ocorrido se tratou de evento isolado e que infelizmente ocorreu de forma acidental por culpa exclusiva do menor.
Ateciosamente,
Luiz Fernando
Advogado
ÁUDIO DA ENTREVISTA DA MÃE DO ADOLESCENTE