*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O clima de polarização política que atravessa o país ganhou um novo contorno de debate com a manifestação do cientista político, analista e professor doutor em filosofia Haroldo Arruda. Em vídeo publicado nas redes sociais, Arruda abordou a polêmica em torno de ameaças e episódios de demissões de trabalhadores motivados por preferências eleitorais, seja por apoio a lideranças de esquerda ou de direita.
O analista apontou que o cenário atual tem gerado uma espécie de “guerra” nas relações cotidianas, com cenários em que patrões ameaçam desligar funcionários sob o argumento de voto em figuras públicas. Ao ponderar sobre o tema, o especialista buscou separar o direito legal de gestão empresarial da prática de perseguição ideológica.
Ao debater quem detém a prerrogativa de decidir sobre os rumos de uma empresa, Haroldo Arruda pontuou que a autonomia recai sobre quem assume os riscos financeiros da atividade econômica.
“Quem investe, quem paga os salários, quem assume os riscos e quem responde pelas dívidas da empresa, sabe quem que é? Atenção, é o empresário ou o dono da empresa. É ele que decide”, afirmou o analista.
O ponto central da reflexão de Haroldo Arruda recai sobre a linha tênue e intransponível que separa a prerrogativa administrativa da discriminação institucional. Para o cientista político, utilizar o poder diretivo da empresa para punir posições partidárias configura um desvio grave.
“Agora, existe uma diferença fundamental entre demitir sem justa causa e perseguir alguém por suas convicções políticas. O empresário tem direito de administrar o seu negócio, sim, mas não pode usar esse poder para praticar discriminação política, fazer coerção o tempo todo, perseguir”, destacou.
O professor reforçou que a liberdade de pensamento é um direito fundamental assegurado a todos, independentemente de o cidadão militar no espectro da direita ou da esquerda.
Encerrando a análise, Arruda propôs uma reflexão profunda sobre o verdadeiro significado da tolerância e da convivência em sociedade, alertando que o respeito ideológico deve transcender o campo alinhado.
“Liberdade não é apenas defender os direitos de quem pensa como você, não. Liberdade, de verdade, é respeitar também os direitos de quem pensa diferente de você”, concluiu.
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