*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A deflagração da Operação Tomada de Contas pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, dia 29 de outubro, escancarou uma investigação de grande envergadura contra suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos de servidores no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Com ordens expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a operação mobilizou 180 policiais federais em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, atingindo em cheio a cúpula do órgão encarregado de fiscalizar os recursos públicos no Estado.
O expediente no prédio do tribunal, em Cuiabá, foi totalmente suspenso e a entrada de servidores proibida durante as primeiras horas da operação para a realização das diligências, que contemplaram 26 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo, sequestro de bens e seis mandados de prisão preventiva.
BUSCA NOS GABINETES DE CONSELHEIROS E EX-CONSELHEIRO
As ordens de busca e apreensão cumpridas pelas equipes federais miraram diretamente os gabinetes e ambientes de trabalho das autoridades máximas do Tribunal de Contas. Foram alvos diretos de buscas os gabinetes e espaços adjacentes dos conselheiros:
-Sérgio Ricardo de Almeida (Presidente do TCE-MT e preso preventivamente);
-Guilherme Antonio Maluf;
-José Carlos Novelli;
-Alisson Carvalho de Alencar.
Além dos membros titulares atuais, as equipes da PF também realizaram buscas na estação de trabalho do ex-conselheiro Valter Albano da Silva.
Além dos gabinetes dos conselheiros, a Polícia Federal vasculhou cinco áreas administrativas estratégicas do tribunal: a Consultoria Jurídica Geral, a Secretaria Executiva de Gestão de Pessoas, a Secretaria Executiva de Orçamento, Finanças e Contabilidade, a Secretaria Executiva de Planejamento e a Secretaria do Sistema de Controle Interno.
A ordem de prisão expedida pelo STJ alcançou lideranças e membros do corpo técnico e administrativo da Corte de Contas:
-Roseli Loss — Secretária executiva do TCE-MT;
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia — Consultor jurídico-geral do TCE-MT;
-Adriangelo Barros Antunes
-Gustavo Fernandes da Silva
-Felipe José Glinke
-Vitor Turri Romano
-Jocimauro Bento do Carmo
-Carlos Romeu Rodrigues Medeiros
-Eneias Viegas da Silva
-Maurício Marques Júnior
-Edson Luiz Ribeiro de Oliveira
-Adjair Roque Arruda
-Carlos Alexandre Pereira
A decisão do STJ autorizou o acesso irrestrito a ambientes corporativos, dados de servidores e áreas sensíveis de Tecnologia da Informação (TI) da instituição.
BENS APREENDIDOS E CONTEXTO DAS INVESTIGAÇÕES
A operação chocou pela ostensiva apreensão de bens de alto valor nas residências e endereços ligados aos investigados. A Polícia Federal apreendeu pilhas volumosas de dinheiro em espécie em moeda nacional (cédulas de R$ 50 e R$ 100) e divisas estrangeiras (dólares e euros), coleções inteiras de relógios de grife em estojos expositores, caixas de vinhos importados e uma frota de automóveis de luxo (como modelos Audi e utilitários da Mercedes-Benz) que superlotou o pátio da Superintendência da PF em Cuiabá.
O inquérito apura indícios de que contratos administrativos do próprio TCE-MT eram suspensos intencionalmente para pressionar fornecedores, além de apontar um fluxo atípico de saques frequentes em dinheiro vivo diretamente no âmbito do tribunal. Os envolvidos respondem por corrupção contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações.
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