*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Um relatório investigativo elaborado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Criem Organizado (Gaeco), que integra os autos da Operação Cathedra Venalis, aponta que o presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), é suspeito de operar um esquema de retenção parte dos salários de servidores, prática conhecida popularmente como “rachadinha”.
A operação foi deflagrada na última terça-feira, dia 20 de outubro, e apura possíveis irregularidades e crimes contra a administração pública no legislativo municipal.
A denúncia contra o presidente da Casa consta formalmente no tópico denominado “Da suposta prática de ‘rachadinha’ e perseguição administrativa” do relatório do Gaeco. O documento baseia-se no depoimento de uma testemunha que solicitou à Justiça a preservação estrita da identidade por razões de segurança.
“O denunciante relata ainda que Wanderley teria praticado esquema de ‘rachadinha’ envolvendo servidores temporários da Casa Legislativa”, cita trecho do documento policial que fundamenta os desdobramentos da operação.
Apesar da gravidade do relato, o trecho divulgado até o momento não especifica os nomes dos trabalhadores supostamente envolvidos, os valores ou percentuais cobrados, nem o período exato em que a prática teria ocorrido no parlamento municipal.
Além do recolhimento ilegal de parte da remuneração dos contratados, a testemunha descreveu aos investigadores do Gaeco uma suposta engrenagem de articulação coordenada por Wanderley Cerqueira para garantir apoio político e votos nas eleições e reeleições da Mesa Diretora da Câmara.
Segundo o depoimento, o parlamentar seria a figura central de um sistema que utilizava a concessão de cargos comissionados e pagamentos mensais estratégicos para assegurar a fidelidade de aliados e consolidar o controle da gestão do Legislativo.
Wanderley Cerqueira confirmou que mandados de busca e apreensão foram cumpridos no escritório dele durante a deflagração da Operação Cathedra Venalis.
Contudo, o parlamentar sustentou que desconhece os detalhes do inquérito e negou qualquer conduta ilícita no comando da Casa de Leis.
“Eu desconheço a operação e eu acho muito estranho”, declarou o presidente da Câmara de Várzea Grande.

