Um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro registrou forte movimento de valorização. A vantagem obtida por Flávio Bolsonaro, candidato do PL, sobre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, elevou as expectativas dos investidores e impulsionou tanto a Bolsa de Valores quanto o mercado de câmbio nesta segunda-feira, 5.
Ibovespa dispara após resultado eleitoral
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, iniciou o primeiro pregão após a votação em forte alta. Logo nos primeiros momentos das negociações, o indicador chegou a avançar 9,1%, alcançando 209,6 mil pontos.
Por volta das 11h55, no horário de Brasília, o índice registrava alta de 8,25%, aos 207.973,29 pontos. Durante a manhã, o Ibovespa chegou aos 209.605,70 pontos, estabelecendo uma nova máxima histórica para o indicador.
O desempenho ocorreu em meio à repercussão do resultado do primeiro turno e às expectativas do mercado sobre os possíveis rumos da economia brasileira a partir de 2027.
Bancos estão entre os maiores destaques
O setor financeiro concentrou parte das maiores altas registradas durante a sessão. As ações do BTG Pactual chegaram a subir 31,5%, sendo negociadas a R$ 27,61.
Os papéis do Banco do Brasil também apresentavam forte valorização, com avanço de 12,94%, a R$ 26,77. Já as ações do Bradesco registravam alta de 14,5%, alcançando R$ 22,01.
Outro destaque ficou por conta da Petrobras. Os papéis da companhia, que possui o maior valor de mercado entre as empresas listadas na B3, apresentavam valorização de 7,5%, sendo negociados a R$ 55,02.
Dólar recua com expectativa sobre Flávio
O resultado eleitoral também repercutiu no mercado de câmbio. A cotação do dólar apresentou queda expressiva diante do real durante as negociações desta segunda-feira.
Às 11h55, a moeda norte-americana recuava 4,42%, sendo negociada a R$ 4,985, abaixo da marca de R$ 5. Ao longo da sessão, a menor cotação registrada havia sido de R$ 4,953, enquanto a máxima alcançada ficou em R$ 5,008.
O movimento ocorreu enquanto investidores avaliavam as perspectivas para o segundo turno e as possíveis mudanças na condução da política econômica caso Flávio Bolsonaro confirme a vantagem obtida na primeira etapa da eleição.
Flávio Bolsonaro termina primeiro turno à frente
Na votação do primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu mais de 56,1 milhões de votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. O resultado colocou o candidato do PL na primeira posição da disputa presidencial.
Lula, candidato à reeleição pelo PT, obteve aproximadamente 53,8 milhões de votos, equivalentes a 45,16% dos votos válidos. A diferença entre os dois candidatos ultrapassou 2,2 milhões de votos.
Com os dois candidatos classificados para o segundo turno, o cenário eleitoral passou a ser acompanhado também pelos agentes do mercado financeiro, que analisam possíveis impactos sobre as contas públicas, investimentos e política monetária.
Expectativas para a economia em 2027
A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno passou a ser relacionada, entre os agentes econômicos, à expectativa de mudanças na condução da política fiscal e econômica do país.
Entre as medidas esperadas pelo mercado está a adoção de um programa voltado ao controle das despesas públicas e à redução da relação entre a dívida do governo e o Produto Interno Bruto (PIB).
Outra expectativa envolve uma possível agenda de reformas. Entre os temas citados estão mudanças na estrutura administrativa do governo e uma nova etapa da reforma da Previdência.
Perspectiva para a taxa Selic
O mercado também avalia a possibilidade de redução da taxa básica de juros, a Selic, diante de um eventual cenário de menor pressão inflacionária.
As projeções, contudo, estão relacionadas às expectativas sobre o próximo governo e aos rumos da política econômica que poderão ser adotados a partir de janeiro de 2027.

