*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realiza na manhã desta terça-feira, dia 29 de setembro, o julgamento no Plenário do Júri do Fórum de Cuiabá. A sessão, presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, marca a retomada dos trâmites presenciais após o recente ataque hacker aos sistemas da Corte. No banco dos réus estão Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado em dezembro de 2023.

Antes do início dos trabalhos no plenário, os advogados de defesa dos réus concederam declarações à imprensa, contestando as acusações, criticando os rumos das investigações e apontando supostas falhas e omissões na condução do caso.
A advogada Sarah Quinetti Pironi, que atua na defesa do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pela acusação como um dos articuladores e financiadores do crime, defendeu veementemente a inocência do cliente e comparou a atuação da vítima a figuras de grande expressão financeira.
“A gente tem falado que é um Vorcaro de Cuiabá, o doutor Zampieri. Colocam o coronel Caçadini como financiador de um crime que ele nunca foi. Nós queremos mostrar para a sociedade toda a verdade. E a verdade é que o coronel Caçadini não tem nada a ver. Ele não participou”, declarou Sarah, fazendo referência ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Outro integrante da equipe de defesa de Caçadini, o advogado Jayme Carvalho, expressou forte preocupação com os verdadeiros mandantes do homicídio, sugerindo que os verdadeiros arquitetos do crime estariam impunes e livres.
“Eu fico preocupado dos verdadeiros autores, arquitetos e mandantes estarem passando aqui agora e sorrindo de tudo que nós estamos fazendo. Foi uma investigação sem eira e nem beira, foi uma investigação feita a toque de caixa”, disparou Carvalho.
O também defensor de Caçadini, Silvio Eduardo Polidoro, seguiu a mesma linha de indignação com o teor do inquérito e criticou o sistema de justiça.
“Quanto mais passa, mais abismado a gente fica com esse processo. Quanto mais a gente olha ele, mais sujeira a gente vê que existe nesse Judiciário nosso. É com tristeza que a defesa entra nesse fórum hoje. A única coisa que vocês podem esperar é a verdade. A verdade é incômoda, ela é teimosa, mas ela é insistente. Devagarinho ela vai aparecendo”, afirmou Polidoro.

Por sua vez, o advogado Nilton Ribeiro, responsável pela defesa de Antônio Gomes da Silva, apontado como o executor que efetuou os disparos e confessou o crime, reforçou que a autoria material é um fato incontroverso, mas exigiu que a sessão traga à tona os verdadeiros mandantes e a motivação real por trás do assassinato.
“Tem muita sujeira debaixo desse tapete e provavelmente essa sujeira toda vai vir à tona nesta sessão de julgamento. Eu vim aqui de Curitiba para que a verdade seja revelada. E não vou sair daqui sem a verdade. Quem matou foi o Antônio. Isso é incontroverso. Mas quem mandou, por quê, como foi, vamos ver o que vai acontecer no plenário. Quem matou foi o Antônio, isso é incontroverso. Eu espero que a verdade seja revelada hoje e não vou sair daqui sem a verdade”, pontuou Ribeiro.
O CONTEXTO DO CRIME
O advogado Roberto Zampieri foi morto a tiros aos 56 anos no dia 5 de dezembro de 2023, quando saía de seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo o Ministério Publishing de Mato Grosso (MPMT), o crime foi encomendado e executado em meio a uma complexa disputa judicial pela posse da Fazenda Lagoa Azul, em Ribeirão Cascalheira, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva. A sessão atual ocorre após uma tentativa anterior de júri realizada em 28 de julho, que acabou interrompida e com o Conselho de Sentença dissolvido após um jurado passar mal. Para esta terça-feira, estão previstas oitivas de delegados da Polícia Civil e Federal, analistas de inteligência e testemunhas-chave para esclarecer os fatos em plenário.

