*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O senador Jayme Campos (União) em um requerimento datado do último dia 16 de setembro, solicitou à direção estadual do União Brasil o afastamento temporário das obrigações partidárias por um período de 45 dias. O principal objetivo da medida é o de viabilizar o apoio público à candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao governo estadual, sem que isso resulte em punições por contrariar as diretrizes oficiais da sigla.
A solicitação ocorre em decorrência da divergência política e eleitoral formalizada no partido. Atualmente, o diretório estadual do União Brasil integra a coligação majoritária de apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás. Contudo, como o desacordo restringe-se estritamente às escolhas estratégicas para o pleito ao Governo do Estado, Jayme Campos recorreu a dispositivos do estatuto partidário, que asseguram aos filiados o direito de manifestar as convicções e sustentar posições pessoais, embora reconheça que a norma estabeleça obrigações formais de apoio às candidaturas da sigla.
No documento protocolado junto à Comissão Executiva Estadual para análise em caráter de urgência, o senador faz questão de ressaltar que não pretende deixar o partido. Ele assegura que continuará filiado ao União Brasil e permanecerá integrando a bancada da legenda no Senado Federal.
ENTENDA O CONTEXTO: RACHA EM CONVENÇÃO EM JULHO DESTE ANO
A fratura interna que culminou neste pedido atual tem raízes profundas no processo de escolha da legenda. Em julho deste ano, a convenção estadual do União Brasil, realizada na sede da CDL em Cuiabá, foi palco de intensos embates, vaias, acusações de traição e forte tensão entre as principais lideranças do partido.
O desfecho daquele encontro sacramentou a vitória da ala liderada pelo presidente da legenda e ex-governador Mauro Mendes, que garantiu a aliança e o apoio do partido à candidatura de Otaviano Pivetta, sepultando o projeto de candidatura própria que era encabeçado por Jayme Campos. A disputa mobilizou a cúpula partidária: dos 51 convencionais aptos, 30 votaram favoráveis à aliança com Pivetta, enquanto 19 respaldaram a tese de candidatura própria de Campos, havendo ainda um voto nulo e uma abstenção.
A convenção foi marcada por forte pressão desde o início. Apoiadores de Jayme Campos lotaram o auditório portando bandeiras e adesivos, entoando gritos de protesto e vaiava qualquer liderança alinhada a Pivetta, contando inclusive com o som de uma banda de samba.
O clima de hostilidade refletiu-se nos microfones. O deputado estadual Dilmar Dal Bosco, aliado de Campos, acusou abertamente Mauro Mendes de traição. Em resposta, Mendes classificou o movimento como uma “opção política”.
Visivelmente emocionado após o resultado, o senador Jayme Campos criticou duramente a condução do processo, alegando ter sido derrotado pela força da máquina e pela articulação governista.
“Nunca vi na minha vida, em seis mandatos disputando eleição, uma convenção conduzida assim, de forma draconiana, desigual e desonesta. Se Deus quis decidir que a maioria dos convencionais apoiasse essa coligação, eu respeito. Não faço política na marra ou empurrado goela abaixo”, declarou Campos na ocasião.
Em contrapartida, Mauro Mendes rebateu as acusações e defendeu a lisura da convenção. O ex-governador justificou a escolha pela coerência administrativa e política em favor de Otaviano Pivetta, destacando que a votação foi transparente e seguiu todas as normas legais do partido.

