O mês de Setembro Amarelo traz à tona uma das discussões mais urgentes da atualidade: a prevenção ao suicídio e a preservação da saúde mental. Em meio a campanhas de conscientização e à necessidade de acolhimento emocional, terapias e acompanhamento psiquiátrico, um fator muitas vezes negligenciado ganha cada vez mais destaque na ciência: o papel da nutrição no equilíbrio do cérebro e das emoções.
Afinal, a forma como nos alimentamos dita não apenas o funcionamento do corpo, mas também a nossa capacidade de lidar com o estresse, a ansiedade e os quadros depressivos.
O EIXO INTESTINO-CÉREBRO: ONDE TUDO COMEÇA
Se você pensa que o cérebro trabalha isolado, é hora de atualizar esse conceito. A ciência moderna comprova a existência do chamado eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação bidirecional constante por meio do nervo vago e de substâncias químicas produzidas no sistema digestivo.
Para se ter uma ideia, cerca de 90% da serotonina, o neurotransmissor conhecido como o “hormônio da felicidade e do bem-estar”, é produzida no trato gastrointestinal. Um intestino inflamado, desequilibrado por uma dieta rica em ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras ruins (disbiose), compromete diretamente a produção dessa substância essencial, abrindo portas para oscilações de humor, apatia e quadros depressivos profundos.
ALIMENTOS QUE “ALIMENTAM” A MENTE
Assim como o corpo precisa de combustível adequado para ter energia física, o cérebro demanda micronutrientes específicos para sintetizar neurotransmissores e proteger os neurônios contra o estresse oxidativo. Alguns nutrientes são verdadeiros aliados da saúde mental:
Ômega-3: Encontrado em peixes de água fria, como salmão, sardinha e atum, além de sementes de linhaça e chia, possui forte ação anti-inflamatória e protege as membranas celulares do cérebro, auxiliando na prevenção da depressão.
Vitaminas do Complexo B, especialmente B6, B9 e B12, presentes em ovos, carnes, folhas verde-escuras e leguminosas, são fundamentais na regulação do sistema nervoso e na formação de neurotransmissores como dopamina e serotonina.
Magnésio, conhecido como o mineral antiansiedade, ajuda no relaxamento muscular e na modulação do cortisol (o hormônio do estresse). Pode ser encontrado em castanhas, sementes de abóbora e cacau.
Triptofano: Aminoácido precursor direto da serotonina, presente em alimentos como banana, aveia, ovos e castanhas.
CUIDADO INTEGRAL: NUTRIÇÃO COMO COADJUVANTE NO SETEMBRO AMARELO
Falar sobre saúde mental exige responsabilidade e uma rede de apoio multidisciplinar. A alimentação equilibrada não substitui o tratamento médico, psiquiátrico ou psicológico, pilares fundamentais e inegociáveis para quem enfrenta transtornos mentais ou pensamentos suicidas.
No entanto, cuidar da nutrição funciona como um poderoso coadjuvante terapêutico. Um organismo bem nutrido responde melhor aos tratamentos, apresenta mais disposição física, melhora a qualidade do sono e ganha resiliência bioquímica para enfrentar os desafios cotidianos.
*Sêmia Mauad – Jornalista e Nutricionista, pós-graduada em Nutrição na Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC, Nutrição Materno Infantil, Nutrição Aplicada ao Autismo. Instagram: @semiamauad

