O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma manifestação de 44 páginas em resposta à investigação que envolve sua atuação. No documento, protocolado durante a madrugada desta terça-feira (15), o magistrado sustenta que as acusações representam uma nova etapa de uma tentativa de ruptura institucional iniciada com os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
Moraes relaciona investigação aos atos de 8 de janeiro
Na manifestação encaminhada ao Supremo, Moraes afirma que os acontecimentos relacionados à tentativa de golpe não teriam terminado com os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em janeiro de 2023.
Segundo o ministro, a estratégia teria sofrido uma mudança na forma de atuação, passando a utilizar outros mecanismos. Ele também declarou que o Supremo Tribunal Federal teria condições de enfrentar novas iniciativas contra as instituições democráticas e preservar o funcionamento do Estado de Direito.
A manifestação foi apresentada no contexto de uma investigação que passou a questionar condutas e comunicações atribuídas ao ministro.
Moraes aponta possível motivação político-eleitoral
Outro ponto central da defesa apresentada por Moraes é a alegação de que a investigação teria relação com interesses políticos ligados ao cenário eleitoral.
O ministro relacionou o caso à sua atuação em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que as acusações contra ele seriam uma forma de retaliação por decisões tomadas durante esses procedimentos.
Na avaliação apresentada no documento, pessoas ligadas aos investigados e condenados por decisões do STF estariam tentando utilizar as acusações como instrumento de vingança. Moraes também classificou como falsas as informações utilizadas para sustentar parte das acusações.
Flávio Bolsonaro é citado na argumentação
A manifestação também menciona o senador Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com a tese apresentada por Moraes, determinadas medidas adotadas durante a investigação poderiam ter sido motivadas por interesses eleitorais e beneficiar setores da oposição.
A expressão “político-eleitoral” aparece repetidamente ao longo do documento. O ministro utiliza o termo para sustentar a hipótese de que a divulgação de informações sobre a investigação, especialmente nas proximidades do feriado de 7 de Setembro, teria ocorrido dentro de uma estratégia com possíveis objetivos eleitorais.
Mensagens com Daniel Vorcaro entram no caso
Outro elemento abordado na manifestação são mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os diálogos foram identificados durante diligências realizadas pela Polícia Federal (PF).
O ministro contestou o conteúdo e a interpretação atribuída às mensagens. Em sua manifestação, Moraes classificou como fantasiosa a utilização dos diálogos para sustentar as acusações contra ele.
A defesa também questiona a condução da investigação e as circunstâncias em que determinadas informações foram obtidas e divulgadas.
Documento apresenta erros de português
Além dos argumentos relacionados à investigação, o documento chamou atenção por apresentar diversos erros gramaticais e de digitação.
Em um dos trechos, Moraes utilizou uma forma verbal no plural em uma construção na qual o sujeito exigiria concordância no singular. Também aparece uma expressão com erro de concordância ao fazer referência às mensagens analisadas no caso.
O nome do aplicativo WhatsApp também foi escrito de maneira incorreta em diferentes momentos, utilizando as formas “whatzap” e “WHATZAP”. Há ainda problemas relacionados ao uso de vírgulas em determinados períodos do texto.
Os erros aparecem em meio à manifestação apresentada pelo próprio ministro e integram o documento protocolado no âmbito da investigação.
Investigação segue em andamento
A manifestação de Moraes apresenta a versão do ministro sobre os fatos investigados e busca contestar os elementos utilizados para questionar sua conduta. Entre os principais argumentos estão a suposta existência de interesses político-eleitorais, a contestação das mensagens atribuídas ao magistrado e a relação do caso com decisões envolvendo aliados e integrantes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento também insere a investigação em um contexto mais amplo de disputas envolvendo o Supremo Tribunal Federal e os acontecimentos posteriores aos atos de 8 de janeiro de 2023.

