O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça liberou para julgamento o processo relacionado ao relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Agora, caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, decidir quando o caso será levado à análise do Plenário.
Mendonça encaminha processo para julgamento no STF
A decisão de Mendonça ocorreu nesta sexta-feira (6) e representa uma nova etapa na discussão sobre o conteúdo obtido pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo Daniel Vorcaro.
O ministro havia determinado anteriormente a retirada do sigilo de parte do material. Entre os documentos estão conversas mantidas entre Moraes e o banqueiro, que passaram a integrar o conjunto de informações analisadas no procedimento.
A liberação para julgamento acontece em um momento de tensão entre Mendonça e Moraes, ambos integrantes do Supremo Tribunal Federal. A definição sobre a data da análise, entretanto, não cabe ao relator, mas ao presidente da Corte.
Fachin deverá avaliar as manifestações apresentadas pelas partes antes de decidir se inclui o processo na pauta do Plenário.
Mensagens entre Moraes e Vorcaro são analisadas pela PF
Entre os conteúdos identificados pela Polícia Federal está uma mensagem enviada por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão do empresário.
Na conversa, o banqueiro menciona um magistrado da Justiça Federal e questiona Moraes sobre a possibilidade de precisar deixar o Brasil. A mensagem passou a fazer parte do material utilizado pela PF para analisar possíveis vazamentos de informações relacionadas às investigações.
Segundo as apurações policiais, Vorcaro teria obtido informações sobre sua prisão preventiva com antecedência significativa. A primeira ordem de prisão contra o empresário foi determinada pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal em 17 de novembro de 2025.
Investigação aponta possível estrutura de vazamentos
A análise realizada pelos investigadores também identificou o que a Polícia Federal descreve como uma estrutura clandestina utilizada para obtenção e circulação de informações.
De acordo com a investigação, esse mecanismo teria acesso a dados considerados sigilosos provenientes do Banco Central e do Poder Judiciário. A informação antecipada sobre a prisão de Vorcaro é apontada como um dos possíveis episódios relacionados a esse fluxo de informações.
Os dados foram obtidos a partir da análise do telefone celular do empresário, que forneceu elementos para a reconstrução de contatos e comunicações mantidos durante o período investigado.
Relação entre Vorcaro e Moraes entra no centro da apuração
As mensagens analisadas pela Polícia Federal também mostram que Daniel Vorcaro procurava Alexandre de Moraes durante o período de dificuldades enfrentado pelo Banco Master.
O relacionamento entre os dois passou a ser considerado relevante dentro das investigações, especialmente em razão dos contatos realizados enquanto o banco enfrentava uma crise que posteriormente culminou em sua liquidação pelo Banco Central.
O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, em meio a investigações relacionadas a suspeitas de fraudes envolvendo valores bilionários.
PGR questiona investigação solicitada por Mendonça
A iniciativa de Mendonça de determinar a investigação acabou sendo questionada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O órgão solicitou que o procedimento fosse considerado nulo. Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que uma parcela significativa do relatório produzido pela Polícia Federal estaria concentrada em informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende o entendimento de que integrantes do Supremo Tribunal Federal somente podem ser investigados mediante autorização do Plenário da própria Corte.
O nome de Gonet, entretanto, também aparece mencionado no material analisado, em razão de sua relação com Daniel Vorcaro.
Fachin decidirá quando o caso será analisado
Com a decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento, o próximo passo depende de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal. Antes de definir a inclusão do caso na pauta, Fachin deverá considerar as manifestações dos envolvidos. O ministro estabeleceu prazo de cinco dias para que as partes apresentem suas posições sobre o processo.
A partir dessas manifestações, caberá ao presidente do STF decidir se o caso será encaminhado ao Plenário e em qual momento os ministros deverão analisar as questões apresentadas no processo.

