*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família da empresária Gleici Keli Geraldo de Souza como assistente de acusação, divulgou imagens de câmeras de segurança da residência onde o crime ocorreu. A publicação das gravações foi feita no perfil do Instagram no último domingo, dia 6 de setembro.
As imagens e os novos elementos trazidos pela acusação reavivam a discussão sobre o feminicídio cometido pelo marido da vítima, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos. A defesa de Daniel sustenta que ele cometeu o crime sob um quadro de depressão e sem consciência dos atos. No entanto, a família e o Ministério Público contestam veementemente essa versão.
ACUSAÇÃO APONTA PLANEJAMENTO E AFASTA TESE DE SURTO
De acordo com o advogado Rodrigo Pouso, as gravações recuperadas das câmeras de segurança da residência desmentem a alegação de que o crime teria ocorrido durante um surto repentino. Para a acusação, os registros indicam premeditação e planejamento.
“Quem viu as imagens já sabe. Não foi loucura. Foi plano. As câmeras registraram tudo. Não foi surto. Foi escolha”, escreveu o advogado na publicação.
Segundo o material divulgado, os dias que antecederam o assassinato foram marcados por discussões recorrentes sobre questões financeiras e atritos cotidianos, envolvendo menções a uma botina, uma antena Starlink e uma quantia de R$ 2,2 mil. Em trechos dos vídeos, Gleici aparece suplicando: “Dani, pelo amor de Deus”, e afirmando que “já chega de trauma”.
A investigação e a assistência de acusação também apontam que, dois dias antes do crime, Daniel teria ameaçado matar Gleici e a filha do casal. Diante da gravidade da situação, uma irmã do acusado chegou a enviar uma mensagem de alerta à cabeleireira, que chegou a ser orientada a esconder as facas dentro de casa. O engenheiro teria descoberto o aviso e demonstrado forte irritação por Gleici ter sido alertada.
Apesar de haver uma consulta psiquiátrica agendada para as 15h do dia 24 de junho, para a qual Daniel havia concordado em comparecer, o crime ocorreu nas primeiras horas daquela mesma data. Por volta das 6h55, horas antes do atendimento médico, o agressor pegou uma faca, alegando à esposa que ele havia “perdido um milhão”. O inquérito aponta que o engenheiro mantinha anotações detalhadas de valores que considerava devidos por Gleici e demonstrava incômodo com o crescimento profissional da esposa e com uma marca que ela estava prestes a lançar.
DISPUTA JUDICIAL SOBRE SANIDADE MENTAL
A condição psiquiátrica do acusado tem sido o principal ponto de embate jurídico. Após o crime, familiares de Daniel conseguiram a a interdição dele e ele foi internado em um centro psicossocial em Cuiabá, gerando custos superiores a R$ 200 mil aos cofres públicos.
Além disso, no âmbito do processo de inventário, Daniel teria reivindicado a metade dos bens e dos aluguéis deixados por Gleici. Contudo, após contestações do Ministério Público e da família da vítima, a homologação do laudo psiquiátrico anterior foi anulada. Uma nova junta formada por três peritos realizou uma nova avaliação, cabendo agora à Justiça definir oficialmente a condição mental do acusado.
RELEMBRE O CRIME
O feminicídio chocou o município de Lucas do Rio Verde no dia 24 de junho de 2025. De acordo com os laudos do IML de Mato Grosso, a empresária Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, foi morta com 21 facadas desferidas pelo marido enquanto dormia, na residência do casal.
Além de matar a esposa, Daniel atacou a filha de ambos, uma menina de apenas 7 anos, que foi atingida por sete golpes de faca. A criança foi socorrida em estado grave e transferida para a UTI do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá.
Após as agressões, o engenheiro tentou cometer suicídio. Ele foi socorrido, recebeu atendimento médico em uma unidade de saúde local e obteve alta em 30 de junho do mesmo ano, sendo encaminhado na sequência para a Cadeia Pública de Sorriso.
A tragédia veio à tona após a irmã do acusado acionar as autoridades, relatando que Daniel havia assassinado a esposa e ferido a criança. Quando a polícia chegou ao local, encontrou o agressor sentado em um corredor da casa, apresentando ferimentos no tórax e estado de choque, enquanto Gleici foi achada sem vida sobre a cama.
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