A dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 10,9 trilhões em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 31 de agosto. O montante corresponde a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e representa uma alta significativa em relação ao nível registrado no encerramento de 2022.
O indicador utilizado pelo Banco Central considera as obrigações financeiras do governo federal, dos Estados e dos municípios, incluindo compromissos assumidos junto a instituições financeiras, investidores e outros credores. A medida é acompanhada para avaliar a evolução do endividamento do setor público brasileiro.
Dívida bruta avança durante o governo Lula
Os números divulgados pelo Banco Central mostram que a dívida bruta aumentou em relação ao tamanho da economia brasileira desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.
Em dezembro de 2022, último mês do governo Jair Bolsonaro, o indicador correspondia a 71,7% do PIB. Com o resultado de julho de 2026, a proporção chegou a 82,5%, uma diferença de 10,8 pontos porcentuais.
O patamar atual também é o mais elevado desde abril de 2021, período marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de covid-19. A evolução registrada nos últimos anos também colocou o indicador próximo do maior nível histórico já observado.
O recorde ocorreu em outubro de 2020, quando a dívida bruta atingiu 87,6% do PIB. Naquele período, o aumento do endividamento esteve relacionado, entre outros fatores, às medidas adotadas pelo governo para enfrentar os impactos econômicos provocados pela pandemia.
Somente nos sete primeiros meses de 2026, a dívida bruta acumulou crescimento de 5,7 pontos porcentuais em relação ao PIB.
Como é calculada a dívida bruta
A Dívida Bruta do Governo Geral reúne os compromissos financeiros dos governos federal, estaduais e municipais. Diferentemente da dívida líquida, o cálculo não desconta os ativos financeiros que o setor público possui.
Por isso, o indicador apresenta uma dimensão ampla das obrigações assumidas pelo governo. A relação entre a dívida e o PIB é utilizada para acompanhar o peso desse endividamento diante do tamanho da economia nacional.
Dívida líquida também registra aumento
Outro indicador divulgado pelo Banco Central foi a Dívida Líquida do Setor Público não financeiro. Em julho, o índice chegou a 69,1% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 9,16 trilhões.
No mês anterior, a dívida líquida representava 68,5% do PIB, com valor estimado em cerca de R$ 9 trilhões. Dessa forma, houve crescimento tanto em termos nominais quanto na proporção em relação à economia.
A dívida líquida considera as obrigações financeiras do setor público depois de descontados os créditos e ativos financeiros. O cálculo inclui União, Estados, municípios, Banco Central e empresas estatais.
Esse indicador busca mostrar a posição financeira líquida do setor público diante de credores privados e do exterior.
Setor público registra superávit primário em julho
Apesar do aumento dos indicadores de endividamento, as contas do setor público consolidado apresentaram resultado positivo em julho de 2026.
Segundo o Banco Central, houve superávit primário de R$ 1,4 bilhão no mês. O resultado representa uma mudança em relação a julho de 2025, quando havia sido registrado déficit primário de R$ 66,6 bilhões.
O governo federal contribuiu com um superávit de R$ 11 bilhões. Já os governos estaduais apresentaram resultado negativo de R$ 8,5 bilhões. As empresas estatais também encerraram o mês com déficit, de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Resultado acumulado em 2026
Mesmo com o resultado positivo registrado em julho, o balanço acumulado do setor público ainda apresenta déficit primário no ano.
De janeiro a julho de 2026, o resultado negativo chegou a R$ 78,8 bilhões. O número considera o desempenho consolidado das diferentes esferas do setor público e das empresas estatais incluídas na metodologia do Banco Central.

