*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Quarta Vara Federal de Palmas, no Tocantins, expediu na noite da última quinta-feira, dia 27 de agosto, o alvará de soltura em favor da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro.
Ela havia sido presa dias antes no âmbito da Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal. A liberação tramitou por meio de carta precatória cumprida pela 5ª Vara Federal Criminal de Mato Grosso.
Thatiana, que é sócia-administradora de um conhecido bar na Praça Popular de Cuiabá, era apontada inicialmente pelas investigações como suspeita de envolvimento com uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e armas utilizando aeronaves.
Deflagrada na última terça-feira, dia 25 de agosto, a Operação Bóreas foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal do Tocantins, com apoio da Ficco e de agentes federais do Pará. O foco da ofensiva foi desmantelar uma rede logística especializada no transporte aéreo de entorpecentes vindos da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil.
A operação cumpriu mandados em Cuiabá e Palmas, determinando o sequestro de bens, o bloqueio de valores e a apreensão de aeronaves. Devido à rota internacional do esquema, a PF também solicitou a inclusão de dez investigados na Difusão Vermelha da Interpol. Os alvos respondem por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
No âmbito empresarial, dados da Receita Federal apontam que Thatiana é a única sócia-administradora de uma empresa de restaurante aberta em março de 2024 na capital mato-grossense. No entanto, as investigações não apontaram qualquer tipo de envolvimento ou uso do estabelecimento comercial nas atividades ilícitas apuradas.
HISTÓRICO FAMILIAR E INVESTIGAÇÕES ANTERIORES
O desdobramento da Operação Bóreas também trouxe à tona conexões familiares ligadas a crimes federais. O irmão da empresária, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, possui um histórico criminal de grande repercussão na Justiça Federal.
Em fevereiro de 2025, Márcio foi preso em flagrante pilotando uma aeronave modelo Cessna 210M carregada com aproximadamente 475 kg de cloridrato de cocaína e pasta base, além de quase 800 gramas de maconha e haxixe. O avião realizou um pouso irregular em uma pista clandestina na zona rural de Caseara (TO), em uma ação conjunta das forças de segurança de Goiás e Tocantins. Na ocasião, outras quatro pessoas também foram detidas.
Além disso, o histórico de Márcio remonta a 2015, quando ele foi um dos alvos da Operação Hybris, também da Polícia Federal, ocasião em que foi apontado por envolvimento no sequestro de uma criança em Cuiabá.
Com a expedição do alvará de soltura pela Justiça Federal de Palmas, o processo e as investigações da Operação Bóreas continuam tramitando para esclarecer a extensão da rede criminosa e o grau de participação de cada investigado.

