*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), identificou e ouviu a mulher de 25 anos apontada como mãe do recém-nascido encontrado morto no final de julho no condomínio Chapada do Poente, no bairro Centro Sul, em Várzea Grande.
As diligências conduzidas pela DHPP ganharam tração após o cruzamento de imagens de câmeras de segurança do condomínio. Os registros de videomonitoramento flagraram o momento exato em que uma mulher se aproxima da área de descarte de lixo na madrugada, realizando o depósito da caixa. A partir dessas imagens e de relatos colhidos no local, que apontavam moradoras com suspeita recente de gravidez, os investigadores chegaram até a identidade da suspeita.
O delegado Rogério Gomes, responsável pelo caso na DHPP, detalhou os achados técnicos preliminares.
“Aproximadamente seis meses [de gestação], sexo feminino, 750 gramas. Essas foram as conclusões bem específicas do laudo de necropsia”, afirmou.
Localizada pelas equipes policiais, a mulher prestou depoimento formal. Na versão dela aos investigadores, ela alegou que não mantinha acompanhamento pré-natal e que não havia confirmação médica oficial de gravidez.
Ela relatou que entrou em trabalho de parto na noite do dia 22 de julho, enquanto o marido dormia, e deu à luz sozinha no banheiro da residência. Segundo relato, ela acreditou que a recém-nascida já teria nascido sem vida. Abalada, colocou a criança em uma caixa e a levou até a lixeira do condomínio, justificando que agiu sob um momento de intenso “desespero”.
O marido da investigada também foi ouvido pela polícia. Ele afirmou aos investigadores que só tomou conhecimento do ocorrido dias depois, quando o caso ganhou repercussão pública.
A Polícia Civil aguarda a conclusão de laudos complementares da Politec para esclarecer definitivamente se o parto foi espontâneo ou provocado, bem como a causa exata da morte. Em depoimento, a investigada negou veementemente ter feito uso de substâncias químicas ou medicamentos com o objetivo de interromper a gestação.
RELEMBRE O CASO
O corpo da recém-nascida foi localizado na manhã do dia 23 de julho, por trabalhadores terceirizados durante a triagem de resíduos no condomínio Chapada do Poente. O corpo estava dentro de uma caixa de papelão em um contêiner de lixo, envolto em um saco plástico preto e ainda com o cordão umbilical conectado. O Samu foi acionado, mas apenas pôde constatar a morte no local, dando início ao acionamento da Polícia Civil e da Politec.
O inquérito segue em andamento na DHPP para definir a tipificação penal aplicável à conduta, considerando os desdobramentos técnicos e periciais que continuam sendo apurados.
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