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Leia: Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial
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21 de outubro de 2026 20:39

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OpiniãoMT > Blog > Brasil > Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial
Brasil

Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial

Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões e informa passivo de R$ 17,3 bilhões.

Redação OPMT
Publicado em: 17 de agosto de 2026
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7 Minutos de Leitura
Com dívida de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicial
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A Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após enfrentar uma forte deterioração financeira. O processo foi protocolado no fim da noite de domingo, dia 16, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Em comunicado enviado ao mercado, a companhia informou possuir um passivo total estimado em R$ 17,3 bilhões.

Casas Bahia solicita recuperação judicial

O pedido foi formalizado pelo Grupo Casas Bahia e comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio de fato relevante. A medida ocorre após a companhia apresentar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre.

O resultado representa uma diferença expressiva em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa havia registrado perdas de aproximadamente R$ 555 milhões. Entre os principais fatores que contribuíram para o resultado estão impactos considerados não recorrentes, que somaram cerca de R$ 9,1 bilhões.

Impactos extraordinários aumentaram o prejuízo

De acordo com as informações divulgadas pela companhia, os eventos extraordinários envolveram baixa de ágio, impostos diferidos e contingências relacionadas ao processo de redução da estrutura operacional.

Entre as medidas adotadas anteriormente estão o fechamento de 298 lojas e a dispensa de aproximadamente 3 mil trabalhadores. Esses acontecimentos tiveram impacto relevante nas demonstrações financeiras apresentadas pela empresa.

A decisão de recorrer à recuperação judicial foi aprovada pelo Conselho de Administração e posteriormente ratificada pelo acionista controlador. A companhia também deverá convocar uma Assembleia-Geral Extraordinária para que os acionistas deliberem sobre a confirmação da medida.

Por que a Casas Bahia pediu recuperação judicial?

A empresa apontou uma combinação de fatores econômicos e financeiros como responsável pela piora de sua situação. Entre eles estão os juros elevados, as dificuldades de acesso ao crédito, o aumento das despesas financeiras e a pressão sobre o consumo.

Outro fator citado foi a necessidade de capital de giro para manter as operações. Segundo a companhia, alternativas para ampliar a liquidez estavam sendo estruturadas, mas não chegaram a ser concretizadas.

A Casas Bahia também buscou recursos junto a investidores internacionais. Entretanto, o principal interessado na operação teria desistido do negócio, reduzindo as alternativas disponíveis para reforçar o caixa da companhia.

Histórico recente de resultados negativos

A varejista vem apresentando dificuldades financeiras há alguns períodos. Conforme os dados divulgados no comunicado, a empresa acumulou resultados negativos em 20 dos 30 trimestres posteriores à saída do Grupo Pão de Açúcar do controle da companhia, ocorrida em 2019.

O cenário de resultados deficitários contribuiu para o aumento das dificuldades financeiras e ocorreu em um período marcado por custos elevados de financiamento e condições mais restritivas para obtenção de crédito.

Dívidas somam R$ 17,3 bilhões

O passivo informado pelo Grupo Casas Bahia chega a R$ 17,3 bilhões. A maior parcela desse montante, estimada em R$ 16,4 bilhões, corresponde a dívidas com credores quirografários, categoria formada por credores que não possuem garantias específicas vinculadas aos débitos.

Ao todo, a empresa aponta pouco mais de 19,4 mil credores nessa categoria. O passivo também contempla aproximadamente R$ 754 milhões relacionados a obrigações trabalhistas.

Outro grupo de dívidas envolve microempresas e empresas de pequeno porte. Nesse caso, o valor informado pela companhia é de cerca de R$ 154 milhões.

Pedido inclui outras empresas do grupo

A solicitação apresentada à Justiça não envolve apenas a principal operação varejista. O processo também contempla outras nove empresas que fazem parte do grupo econômico.

Entre as companhias incluídas estão a Asap Log, a Cnova Comércio Eletrônico, a Casas Bahia Tecnologia e a Indústria de Móveis Bartira.

A inclusão dessas empresas busca concentrar o processo de reestruturação das obrigações financeiras e operacionais abrangidas pelo pedido de recuperação judicial.

Empresa pede proteção contra cobranças

Na petição apresentada ao Judiciário, o grupo solicitou uma decisão liminar para impedir que determinadas dívidas sejam cobradas antecipadamente durante o início do processo de recuperação.

A companhia também pediu que seja proibida a retenção de mercadorias por transportadoras. A medida está relacionada à necessidade de preservar o funcionamento da cadeia operacional enquanto o processo judicial avança.

O objetivo é garantir condições para que a empresa continue funcionando e possa organizar sua situação financeira durante a recuperação judicial.

Mudanças na diretoria da companhia

Além do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia registrou mudanças em sua estrutura administrativa. No mesmo dia, Fábio Spina, que ocupava o cargo de diretor vice-presidente jurídico e tributário, apresentou sua renúncia ao Conselho de Administração.

Também deixaram suas posições os conselheiros Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres.

Com as alterações, Sirley Lima assumirá a liderança das áreas jurídica, tributária, de compliance e de controles internos da companhia.

Casas Bahia pretende manter operações

Mesmo diante do processo de recuperação judicial, a empresa informou que pretende continuar operando normalmente em seus diferentes canais de atendimento e vendas.

A prioridade anunciada pela companhia é preservar o atendimento aos consumidores e clientes, evitando impactos relevantes sobre suas atividades. A manutenção das operações também está relacionada à estratégia de continuidade do negócio durante o processo de reorganização financeira.

Próximos passos da recuperação judicial

Com o pedido protocolado, o processo seguirá para análise da Justiça. Paralelamente, a companhia deverá cumprir as etapas previstas na legislação para a recuperação judicial e apresentar as informações necessárias aos credores e ao Judiciário.

A Assembleia-Geral Extraordinária prevista pelo grupo também terá papel importante na formalização da decisão tomada pela administração.

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