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11 de agosto de 2026 06:54

OpiniãoMT > Blog > Brasil > 84,9% das famílias de baixa renda estão endividadas, aponta CNC
Brasil

84,9% das famílias de baixa renda estão endividadas, aponta CNC

Endividamento de famílias com renda de até três salários mínimos chega a 84,9% em julho, maior índice da série histórica da CNC.

Redação OPMT
Publicado em: 10 de agosto de 2026
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5 Minutos de Leitura
84,9% das famílias de baixa renda estão endividadas, aponta CNC
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O endividamento das famílias de baixa renda alcançou o maior nível já registrado em julho, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento mostra que 84,9% dos consumidores com renda mensal de até três salários mínimos tinham algum tipo de dívida no período.

Endividamento entre famílias de baixa renda bate recorde

O percentual registrado em julho representa o maior patamar da série histórica para essa faixa de renda, iniciada em maio de 2023. O resultado também marcou o quarto recorde consecutivo entre as famílias que recebem até três salários mínimos.

Considerando todos os grupos de renda analisados pela pesquisa, o índice de famílias endividadas chegou a 82% em julho. O número também representa o maior nível registrado desde o início da série, evidenciando uma expansão do comprometimento financeiro entre os consumidores.

A pesquisa da CNC é realizada mensalmente nas capitais brasileiras e no Distrito Federal. Aproximadamente 17,8 mil famílias participam do levantamento, sendo que cerca de 43% dos entrevistados pertencem ao grupo com renda mensal de até três salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 4.863.

Inadimplência também cresce entre os consumidores

Além do avanço do endividamento, os indicadores de inadimplência apresentaram piora entre as famílias de menor renda. Em junho, 38,3% das famílias que recebiam até três salários mínimos tinham contas ou dívidas em atraso. Em julho, esse percentual subiu para 38,5%.

Aumento das dívidas sem possibilidade de pagamento

Também houve crescimento na parcela de consumidores que afirmaram não possuir condições financeiras para quitar os débitos acumulados. O indicador passou de 17,6% em junho para 17,8% no mês seguinte.

Outro dado da Peic mostra que as dívidas passaram a consumir uma parcela maior da renda mensal dessas famílias. O comprometimento financeiro subiu de 30,4% para 30,6% entre junho e julho.

Estresse financeiro aumenta entre famílias de menor renda

Os sinais de pressão sobre o orçamento doméstico também foram identificados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Indicador de Estresse Financeiro, que acompanha a percepção das famílias sobre sua situação econômica, apresentou crescimento no período.

Entre as famílias classificadas na faixa 1, com renda mensal de até R$ 2.100, o indicador passou de 25,6 pontos em junho para 26,8 pontos em julho. Esse foi o maior resultado desde março de 2026. Naquele mês, o indicador havia alcançado 29,1 pontos.

Confiança do consumidor recua

A situação financeira também aparece refletida na confiança dos consumidores de menor renda. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, caiu 10,5 pontos na faixa 1 e atingiu 79,8 pontos.

O resultado representa a menor pontuação desde setembro de 2025, quando o indicador havia registrado 77,4 pontos.

Faixa etária concentra maiores níveis de endividamento

Dados da Serasa Experian indicam que, entre os consumidores de menor renda, as pessoas com idade entre 41 e 60 anos apresentam os maiores níveis de endividamento.

Segundo os dados, esse grupo reúne uma parcela significativa de consumidores que tiveram pouco acesso à educação financeira durante a formação escolar. A menor familiaridade com ferramentas digitais também aparece entre as características associadas ao grupo.

A combinação desses fatores pode estar relacionada à forma como parte desses consumidores administra crédito, empréstimos e outros compromissos financeiros.

Apostas esportivas aparecem entre fatores relacionados às dívidas

As apostas esportivas também são apontadas entre os fatores associados ao endividamento da população de menor renda.

O avanço desse tipo de atividade financeira ocorre em um cenário no qual as famílias já apresentam maior comprometimento do orçamento com dívidas e crescimento dos atrasos nos pagamentos.

Os dados da Peic, da FGV e da Serasa Experian mostram, portanto, diferentes aspectos da situação financeira dos consumidores de menor renda, desde a quantidade de famílias com dívidas até o nível de comprometimento da renda e a percepção sobre a própria condição econômica.

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