*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O advogado Diogo Botelho (PDT), candidato a vice-governador na chapa encabeçada pela médica Natasha Slhessarenko (PSD), usou as redes sociais para descer o verbo contra a condução do processo por parte do senador Wellington Fagundes e do PL, classificando o episódio abertamente como “uma traição”. O empresário e fundador do Grupo São Benedito, Marcelo Maluf (NOVO), foi retirado de última hora da condição de candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL). Para preencher a vaga, a direção partidária articulou a indicação do médico Alencar Farina (PL).
“Honrou todos os compromissos, mobilizou gente, envolveu a sua família no projeto e foi descartado de uma hora para a outra. Isso não é política, é traição”, disparou Diogo Botelho em vídeo publicado nas redes sociais.
“Quem não consegue honrar um compromisso dentro da própria casa partidária, não tem moral para pedir a confiança de mais de 3 milhões de mato-grossenses. Marcelo, você fez o certo, sai com a consciência tranquila”, completou Diogo.
ENTENDA O QUE ACONTECEU
A aliança original havia sido desenhada e formalizada dentro do prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral para as convenções partidárias. Na ocasião, o partido NOVO sacramentou oficialmente a indicação de Marcelo Maluf como candidato a vice na coligação integrada por PL, MDB e NOVO, consolidando a base de sustentação para a disputa ao Palácio Paiaguás.
Maluf, que havia protagonizado uma movimentação política ao deixar o PSDB para se filiar ao NOVO, onde inicialmente articulava uma pré-candidatura própria ao governo estadual, aceitou recuar do projeto solo para somar forças na chapa liderada por Wellington Fagundes. No entanto, acordos internos e articulações de última hora do Partido Liberal desfizeram a composição, substituindo o empresário pelo médico Alencar Farina.
O DESABAFO DE MARCELO MALUF: “POLÍTICA SE FAZ COM PALAVRA”
Marcelo Maluf rompeu o silêncio e publicou uma nota dura. Na manifestação, o empresário classificou a atitude como uma demonstração de que a palavra empenhada foi ignorada.
“Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios, o que só contribui para apodrecer a boa política”.
Maluf enfatizou que o projeto não nasceu de especulações, mas de um acordo institucionalizado.
“A partir dessa decisão, compromissos foram assumidos, pessoas foram mobilizadas, estratégias foram definidas e todo um projeto de campanha começou a ser estruturado. Fiz isso de boa-fé, acreditando na palavra empenhada e na seriedade de uma decisão tomada por quem pretende governar Mato Grosso”.
O empresário concluiu destacando que a confiança pública começa nas relações internas.
“Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Saio deste episódio com a consciência tranquila. Cumpri rigorosamente aquilo que assumi. Outros terão de responder pelas escolhas que fizeram e pela maneira como decidiram fazê-las”.

