*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Na tarde da última quarta-feira, dia 5 de agosto, o suspeito de assassinar o policial militar Renato Oliveira Aragão passou por audiência de custódia. O juiz Pierro de Faria Mendes, titular da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva para Jhonatan Vieira dos Santos, de 33 anos. O processo judicial tramita sob segredo de justiça.
O homicídio chocou a população e a corporação na última terça-feira, dia 4 de agosto. O cabo da Polícia Militar Renato Oliveira Aragão, de 32 anos, foi assassinado a tiros enquanto ministrava uma aula de jiu-jitsu nas dependências do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), situado no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. O ataque ocorreu de forma brutal na presença de alunos, incluindo crianças que acompanhavam a atividade esportiva.
O militar coordenava as instruções de artes marciais inseridas em uma iniciativa comunitária vinculada ao 25º Batalhão da Polícia Militar. Durante a execução da aula, o espaço foi invadido de surpresa por Jonathan Vieira dos Santos, de 33 anos. Munido de um revólver calibre 38, o agressor disparou várias vezes contra o policial, que foi atingido e tombou sobre o tatame. Apesar dos esforços de socorro prestados às pressas, o cabo Aragão não resistiu aos ferimentos e morreu.
Logo após os disparos, os próprios alunos do projeto social avançaram sobre o criminoso, conseguindo contê-lo e imobilizá-lo. A ação garantiu a custódia do suspeito até a chegada da Polícia Militar.
Entregue à Polícia Civil, o acusado foi conduzido à Central de Flagrantes de Várzea Grande, onde foi interrogado pelo delegado Rogério Gomes e optou por permanecer em silêncio. Ele foi autuado em flagrante por homicídio qualificado, tipificado pelo emprego de meio cruel e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, desaguando na audiência de custódia realizada na tarde de quarta-feira.
LINHA DE INVESTIGAÇÃO APONTA MOTIVAÇÃO PASSIONAL
De acordo com as primeiras diligências coordenadas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime teve motivação passional. As apurações indicam que o suspeito alimentava fortes crises de ciúmes e acreditava na existência de um caso extraconjugal entre a vítima e companheira. O histórico já contava com registros formais anteriores. Meses antes do crime, Jonathan havia registrado um boletim de ocorrência mencionando a suposta relação e proferindo ameaças diretas contra o policial.
COMOÇÃO E LEGADO NO ESPORTE E NA SEGURANÇA PÚBLICA
A morte violenta causou profunda comoção entre os colegas de farda. O comandante do 2º Comando Regional da PM, coronel Ricardo Mendes, lamentou o ocorrido e destacou a relevância do trabalho comunitário que a vítima prestava.
“É uma triste perda para nossa corporação, de um policial que estava exercendo a função social e teve sua vida interrompida covardemente. Felizmente, apesar da situação triste, conseguimos deter o assassino e levá-lo preso. Esperamos que a Justiça seja feita de forma rápida e desejamos que Deus conforte todos os familiares e amigos pela perda do cabo Aragão”.
Renato Oliveira Aragão também era uma figura de destaque no cenário das artes marciais de Mato Grosso. Por meio de nota oficial, a Federação de Jiu-Jitsu Esportivo do Estado de Mato Grosso lamentou profundamente o falecimento, exaltando a conduta disciplinada, postura respeitosa e dedicação dele na transformação de vidas por meio do esporte.
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