A atuação do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, voltou ao centro das atenções após uma reportagem apontar que ele teria recebido transferências bancárias da empresária e lobista Roberta Luchsinger. As informações foram divulgadas pelo Portal Poder360 e indicam que os pagamentos teriam ocorrido durante o período em que Ribeiro ocupava um dos principais cargos do Palácio do Planalto. O caso faz parte de um conjunto de investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo suspeitas de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Reportagem aponta transferências durante atuação no Planalto
De acordo com a publicação, os repasses financeiros teriam sido realizados enquanto Marco Aurélio Santana Ribeiro exercia a função no governo federal. Ele permaneceu no cargo entre janeiro de 2023 e 21 de julho deste ano, data em que foi exonerado por decisão do presidente Lula.
Segundo a reportagem, as movimentações envolveriam dezenas de milhares de reais. Entretanto, até o momento, não foram divulgados o valor total das transferências nem a quantidade de operações identificadas.
As informações teriam sido obtidas a partir de dados analisados pela Polícia Federal durante as investigações em andamento. Conforme o veículo, quatro pessoas com conhecimento das apurações confirmaram a existência das transferências.
Chefe de gabinete é citado em investigação, mas finalidade dos valores segue desconhecida
Até o momento, não há informação oficial indicando qual teria sido o objetivo dos pagamentos atribuídos à empresária.
A investigação ainda busca esclarecer a origem dos recursos e a motivação das transferências. Não foi divulgada qualquer conclusão que relacione diretamente os valores a eventual prática de crime por parte do ex-integrante do governo.
Também não existe, até agora, denúncia formal apresentada pelo Ministério Público envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro em relação aos fatos mencionados na reportagem.
Defesa da empresária e ausência de manifestação oficial
Por meio de seu advogado, Roberta Luchsinger informou que desconhece o assunto tratado na reportagem e declarou que pretende apresentar esclarecimentos exclusivamente nos autos do processo em que é investigada.
Já o Palácio do Planalto e Marco Aurélio Santana Ribeiro foram procurados para comentar o caso. Segundo o Poder360, ambos não haviam se pronunciado até o fechamento da publicação.
Empresária é investigada em apuração sobre fraudes no INSS
Roberta Luchsinger figura entre os investigados em procedimentos conduzidos pela Polícia Federal que apuram um suposto esquema de fraudes envolvendo o INSS.
As investigações apontam que ela teria mantido relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025.
Além disso, a empresária também é mencionada nas apurações por sua proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
Roberta admite apresentação entre Lulinha e empresário investigado
Em maio deste ano, Roberta confirmou que apresentou Lulinha ao empresário investigado pela Polícia Federal. No entanto, ela negou que o encontro tivesse qualquer finalidade comercial.
Na ocasião, afirmou que a aproximação não ocorreu para viabilizar negócios e sustentou que ambos jamais mantiveram relações comerciais entre si.
Essa declaração integra o material analisado pelos investigadores durante o andamento das apurações.
Viagens compartilhadas reforçam proximidade, segundo investigadores
Outro elemento citado nas investigações envolve viagens realizadas por Roberta Luchsinger e Lulinha.
A Polícia Federal identificou ao menos seis deslocamentos feitos entre 2024 e 2025 em que as reservas teriam sido emitidas utilizando o mesmo código localizador.
Na avaliação dos investigadores, esse padrão reforçaria a existência de uma relação próxima entre os dois. Apesar disso, a coincidência das reservas, por si só, não representa comprovação de irregularidade, permanecendo como um dos elementos considerados no conjunto das investigações.
Lulinha responde a investigações e nega irregularidades
Fábio Luís Lula da Silva também é alvo de investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal. Entre os procedimentos em andamento está um inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência. O filho do presidente nega qualquer envolvimento em práticas ilegais e afirma não ter cometido irregularidades.
Até o momento, não existe acusação formal nem condenação judicial contra Lulinha relacionada aos fatos mencionados nas investigações.
Da mesma forma, Marco Aurélio Santana Ribeiro não responde a condenação ou denúncia decorrente das informações divulgadas sobre as transferências financeiras.

