*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil prendeu na madrugada desta sexta-feira, dia 31 de julho, no Aeroporto Internacional Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande, Katani Adorno Bocardi. Ela é investigada no âmbito da Operação Replay e foi interceptada logo após desembarcar de uma viagem internacional vinda de Paris, na França.

Katani é esposa de Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, que havia sido preso no dia anterior durante a primeira fase da operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo as investigações, Emerson ocupava uma função estratégica na estrutura financeira da organização criminosa, atuando lado a lado com Paulo Witter Paelo Farias, o “W.T.”, apontado como tesoureiro do esquema.
A PRISÃO E OSTENTAÇÃO NAS REDES SOCIAIS
A investigada era monitorada pelas autoridades federais desde o seu desembarque inicial no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, de onde seguiu sob acompanhamento até Mato Grosso. Equipes da Polícia Civil a aguardavam no terminal de Várzea Grande para efetivar o mandado de prisão preventiva.
Nas redes sociais, Katani exibia um estilo de vida de alto padrão, marcado por rotinas de viagens internacionais e bens luxuosos que chamaram a atenção dos investigadores. Um vídeo divulgado pela polícia registra o momento em que ela é acompanhada pelos agentes após a abordagem.
O CONTEXTO DA OPERAÇÃO REPLAY
Deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na última quinta-feira, dia 30 de julho, a Operação Replay constitui uma fase avançada e continuada das investigações que deram origem às operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A ofensiva visa desarticular uma rede dedicada a crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.
A ação mobilizou simultaneamente forças de segurança em Cuiabá e Várzea Grande (MT), Balneário Camboriú e Itapema (SC), e no Rio de Janeiro (RJ), resultando no cumprimento de 10 mandados judiciais entre prisões preventivas, buscas e apreensões, e medidas patrimoniais contra 14 alvos identificados.
PATRIMÔNIO MILIONÁRIO BLOQUEADO
O foco principal da operação foi o desmonte do aparato financeiro e imobiliário construído com recursos ilícitos. A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias no valor de até R$ 15.324.000,00, além do sequestro de um vasto complexo de imóveis de luxo e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17.287.600,00. No total, as medidas constritivas superam a marca de R$ 32,6 milhões.
Entre os bens confiscados estão um apartamento de luxo em Itapema (SC) avaliado em R$ 3 milhões; um apartamento em Balneário Camboriú (SC) no valor de R$ 6 milhões; uma residência em condomínio fechado em Camboriú (SC) avaliada em R$ 6 milhões; uma casa de alto padrão em Cuiabá no valor de R$ 1,5 milhão; três terrenos somando cerca de R$ 180 mil e veículos de passeio de alto padrão e uma motocicleta totalizando R$ 607,6 mil.
COMANDO DE DENTRO DO CÁRCERE
Conforme relatórios técnicos da Draco estruturados com base em quebras de sigilo e análises telemáticas, a organização criminosa mantinha suas operações ativas mesmo com a liderança principal já presa. O chefe do esquema continuava emitindo ordens financeiras e disciplinares de dentro da prisão, valendo-se de artifícios como a troca constante de chips telefônicos, um único chip chegou a ser alternado em sete aparelhos diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026 para burlar o monitoramento.
A investigação também revelou o envolvimento de diferentes perfis na rede criminosa, incluindo uma advogada e influenciadora digital, Dayana Karol Moreira, um assessor parlamentar lotado na Câmara Municipal de Cuiabá, Brunno Passos da Silva e um jogador de futebol amador, Alex Júnior, todos suspeitos de atuar na ocultação de capitais e na manutenção do esquema ilícito.
VEJA VÍDEO DA PRISÃO DA ACUSADA
Vídeo: Polícia Civil

