A divulgação de documentos desclassificados pela Agência Central de Inteligência (CIA), autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trouxe novos detalhes sobre supostas capacidades técnicas do antigo regime venezuelano para interferir em resultados eleitorais por meio de urnas eletrônicas. Os registros afirmam que o governo da Venezuela possuía, desde 2012, uma estrutura capaz de alterar até 1,5 milhão de votos em determinadas regiões, embora os documentos não apresentem comprovação de que esse mecanismo tenha sido utilizado em todas as eleições mencionadas.
Documentos apontam estrutura para alterar resultados eleitorais
Os arquivos tornados públicos indicam que a oposição venezuelana já levantava suspeitas, há anos, sobre a existência de um sistema que permitiria interferências no processo eleitoral. No entanto, até então, essas alegações não contavam com documentação oficial que mencionasse a existência dessa infraestrutura.
De acordo com o conteúdo divulgado, a CIA identificou que órgãos ligados ao governo venezuelano possuíam condições técnicas para modificar resultados eleitorais em áreas consideradas estratégicas durante o processo de votação.
Eleição presidencial de 2012 está entre os casos citados
Um dos episódios mencionados nos documentos é a eleição presidencial de 2012, quando Hugo Chávez conquistou a reeleição derrotando Henrique Capriles.
Na época, Chávez enfrentava problemas de saúde e conduzia um governo marcado por elevados gastos públicos. Segundo a documentação, existiria a possibilidade técnica de alteração de até 1,5 milhão de votos em regiões de maior apoio ao então presidente.
Apesar dessa informação, os registros não afirmam que a manipulação tenha efetivamente ocorrido naquele pleito. Também é lembrado que Henrique Capriles reconheceu oficialmente o resultado da eleição após a divulgação dos números.
Órgãos públicos foram apontados como responsáveis pelo sistema
Segundo os documentos, três instituições venezuelanas aparecem relacionadas ao suposto esquema de manipulação das urnas eletrônicas:
Direção-Geral de Contraespionagem Militar (DGCIM)
A DGCIM teria desempenhado papel na estrutura de inteligência e segurança que, conforme os documentos, faria parte do sistema descrito pela CIA.
Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN)
Outro órgão citado é o SEBIN, responsável pelas atividades de inteligência interna do país. Os registros apontam que a instituição integraria o conjunto de entidades com acesso ao mecanismo mencionado.
Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
O Conselho Nacional Eleitoral também aparece nos documentos. Conforme o relatório, o órgão teria participação operacional na utilização de equipamentos previamente configurados, capazes de alterar a contagem de votos em determinadas circunstâncias.
Declarações de Donald Trump acompanham divulgação
Após a desclassificação dos documentos, Donald Trump comentou o conteúdo afirmando que existiria um esquema voltado para favorecer o governo venezuelano.
Entretanto, o próprio material divulgado não conclui que o sistema tenha sido efetivamente empregado na eleição presidencial de 2012. Os registros limitam-se a descrever a existência da capacidade técnica e da infraestrutura apontada pelos serviços de inteligência norte-americanos.
Eleição de 2024 é apresentada como episódio distinto
Além das referências ao processo eleitoral de 2012, os documentos também fazem menção à eleição presidencial realizada em julho de 2024 na Venezuela.
Segundo o texto, a contestação desse pleito não estaria relacionada ao uso do mecanismo descrito para as urnas eletrônicas, mas sim à suposta alteração direta dos números oficiais da apuração.
As informações citam que atas eleitorais e registros contendo códigos QR teriam sido utilizados pela oposição venezuelana para sustentar a contestação dos resultados divulgados oficialmente.
De acordo com o conteúdo apresentado, esses documentos indicariam uma ampla diferença entre os votos atribuídos ao candidato oposicionista Edmundo González Urrutia e ao então presidente Nicolás Maduro. As alegações, entretanto, fazem parte do conteúdo dos documentos divulgados e não representam, por si só, confirmação judicial sobre os resultados eleitorais.
Instituições continuam em funcionamento
Os documentos também afirmam que, mesmo após mudanças políticas ocorridas posteriormente na Venezuela e da instalação de um governo sob supervisão internacional, as instituições mencionadas permaneceram em atividade.
Entre elas estão a DGCIM, o SEBIN e o Conselho Nacional Eleitoral. O texto também informa que Elvis Amoroso, presidente do CNE e responsável pela certificação dos resultados das eleições de 2024, continua exercendo suas funções enquanto seguem as negociações para a formação de uma nova autoridade eleitoral.

