As exportações do agro brasileiro para os Estados Unidos devem sofrer impactos relevantes com a aplicação da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36,5% das vendas do agronegócio ao mercado dos EUA permanecerão sujeitas à cobrança, que passa a valer na próxima terça-feira (22). Apesar da medida, a entidade destaca que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu parte dos efeitos esperados para o setor.
CNA avalia impactos da nova tarifa americana
A CNA informou que recebeu com preocupação a conclusão da investigação conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos, que resultou na manutenção da tarifa adicional sobre uma parcela significativa dos produtos agropecuários brasileiros.
Segundo a diretora de Relações Internacionais da entidade, Sueme Mori, embora a decisão ainda represente um desafio para diversos segmentos, a inclusão de novos itens na lista de exceções amenizou o impacto inicialmente previsto para o comércio bilateral.
A confederação calcula que, após a atualização das isenções, aproximadamente 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro ao mercado norte-americano ficará livre da cobrança adicional.
Exportações do agro têm parte dos produtos preservados
Entre os produtos que deixaram de ser atingidos pela tarifa estão pescados, mel e café solúvel. Conforme a CNA, a inclusão desses itens ocorreu após uma série de ações desenvolvidas pela entidade em conjunto com representantes do setor privado.
Trabalho técnico influenciou ampliação das isenções
A diretora Sueme Mori destacou que a ampliação da lista de exceções foi resultado de uma atuação técnica realizada junto às autoridades dos Estados Unidos. Segundo ela, representantes do agronegócio brasileiro apresentaram argumentos e estudos com o objetivo de demonstrar a importância da manutenção do fluxo comercial entre os dois países.
Durante o processo, a CNA participou de consultas públicas, audiências promovidas em Washington e reuniões técnicas voltadas à defesa dos interesses do setor produtivo brasileiro.
Produtos seguem sujeitos à tarifa de 25%
Mesmo com o aumento do número de mercadorias isentas, alguns segmentos continuarão sendo afetados pela medida adotada pelo governo norte-americano.
Entre os produtos que permanecerão sujeitos à tarifa estão madeira, arroz, uva, ovos e açúcar. De acordo com dados apresentados pela CNA, esses itens responderam por aproximadamente US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos ao longo de 2025.
A entidade avalia que esses segmentos poderão enfrentar maiores dificuldades para manter a competitividade no mercado americano diante da elevação dos custos provocada pela nova tributação.
CNA defende competitividade do agronegócio brasileiro
Ao longo das discussões com o governo dos Estados Unidos, a confederação buscou demonstrar que a competitividade do agronegócio nacional está fundamentada em fatores como produtividade, inovação tecnológica e investimentos realizados pelo setor ao longo das últimas décadas.
Segundo a entidade, o desempenho das cadeias produtivas brasileiras não está relacionado a práticas comerciais consideradas desleais, mas sim à evolução dos processos produtivos, ao avanço tecnológico e ao ganho de eficiência obtido pelos produtores rurais.
Além disso, a CNA argumentou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação comercial estratégica, marcada pela complementaridade de diversas cadeias produtivas, o que reforça a importância da preservação do intercâmbio entre os dois países.
Entidade seguirá acompanhando negociações
A confederação informou que continuará monitorando os desdobramentos da decisão e participando das discussões sobre o tema. O objetivo é buscar alternativas que possam reduzir os efeitos da tarifa sobre os segmentos afetados e preservar o comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo a CNA, o trabalho junto às autoridades e aos representantes do setor privado continuará sendo desenvolvido para ampliar o diálogo e defender os interesses do agronegócio brasileiro diante das medidas adotadas pelo governo norte-americano.

