O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) uma nova série de sanções econômicas contra cidadãos e empresas com suposta ligação ao PCC (Primeiro Comando da Capital). As medidas foram oficializadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano e atingem dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia portuguesa, sob a acusação de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa.
Segundo as autoridades norte-americanas, esta é a primeira rodada de punições econômicas aplicada após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos em junho deste ano.
Governo dos EUA amplia medidas contra o PCC
O Departamento do Tesouro informou que as sanções fazem parte de uma estratégia para combater organizações criminosas transnacionais consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. No comunicado oficial, o governo norte-americano voltou a descrever o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental.
Além disso, as autoridades afirmam que integrantes da facção utilizariam mecanismos financeiros internacionais, incluindo operações com criptomoedas, para movimentar recursos provenientes de atividades ilícitas e realizar lavagem de dinheiro.
A investigação mencionada pelos Estados Unidos estaria concentrada principalmente no estado da Flórida, onde uma rede financeira ligada à organização criminosa teria atuado nos últimos anos.
Brasileiros e empresas atingidos pelas sanções
As sanções anunciadas atingem diretamente dois brasileiros:
- Victor Henrique de Oliveira Shimada;
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Também foram incluídas na lista de restrições quatro empresas:
- Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda;
- Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda;
- Wave Construções Inteligentes Ltda;
- Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, empresa registrada em Portugal.
As medidas podem restringir operações financeiras, bloquear eventuais bens sob jurisdição norte-americana e impedir relações comerciais envolvendo pessoas e instituições dos Estados Unidos.
Investigação aponta esquema internacional de lavagem de dinheiro
De acordo com o Departamento do Tesouro, Victor Shimada seria um dos principais responsáveis por conectar integrantes do PCC localizados na Flórida a traficantes internacionais.
O comunicado afirma que ele teria participado da movimentação de mais de US$ 30 milhões em recursos considerados ilícitos. Conforme a acusação, parte desse dinheiro teria sido convertida em criptomoedas para facilitar o envio dos valores ao Brasil em benefício da organização criminosa.
As autoridades norte-americanas também sustentam que Shimada estaria envolvido em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro relacionada ao tráfico internacional de drogas.
Ainda segundo o governo dos EUA, outros seis integrantes da mesma estrutura investigada foram presos na Flórida em janeiro deste ano durante operações conduzidas pelas autoridades locais.
Relação com investigação no Brasil
Victor Shimada também responde a investigações no Brasil. Em julho de 2025, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por suposta prática de lavagem de dinheiro no contexto das apurações envolvendo a antiga patrocinadora do Corinthians, a VaideBet.
No comunicado divulgado nesta quarta-feira, o governo norte-americano afirma que a empresa Victory Trading teria sido utilizada para movimentar recursos desviados de um clube brasileiro de futebol. Entretanto, o documento não identifica nominalmente a equipe esportiva mencionada.
Outra empresa ligada a Shimada, a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, também passou a integrar a lista de sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro.
Papel atribuído a Stella nas investigações
As autoridades dos Estados Unidos afirmam que Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira possui vínculo familiar com Victor Shimada e teria desempenhado funções consideradas relevantes na operação financeira investigada.
Segundo o comunicado, ela teria atuado como secretária do investigado e exercido atividades de apoio logístico, incluindo a intermediação da coleta de grandes quantias em dinheiro utilizadas nas operações atribuídas ao grupo.
Essas funções, de acordo com o governo norte-americano, teriam contribuído para o funcionamento da estrutura financeira investigada.
Classificação do PCC como organização terrorista
As sanções representam um desdobramento da decisão anunciada em junho pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que passou a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
A medida amplia os instrumentos legais disponíveis para o governo norte-americano adotar ações unilaterais, incluindo bloqueio de ativos, restrições financeiras e punições contra pessoas físicas e jurídicas apontadas como colaboradoras dessas organizações.
Na ocasião, a decisão foi tomada mesmo diante da posição contrária manifestada pelo governo brasileiro.
Autoridades norte-americanas reforçam combate financeiro
Durante a divulgação das sanções, o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira dos Estados Unidos, Gene Lange, afirmou que a administração norte-americana busca conter a expansão das atividades financeiras ilegais atribuídas ao Primeiro Comando da Capital em território norte-americano.
Segundo ele, o objetivo das medidas é enfraquecer a capacidade da organização de movimentar recursos por meio do sistema financeiro internacional e interromper mecanismos utilizados para financiar suas atividades.

