*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O clima político rumo à disputa pelo Palácio Paiaguás subiu de temperatura no fim da tarde da última quinta-feira, dia 25 de junho. Em conversa com a imprensa, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) disparou duras críticas contra o senador Wellington Fagundes (PL), classificando-o como “desprezível” após o parlamentar ter tachado de “lambança” o pedido de empréstimo de R$ 1,5 bilhão enviado pelo Executivo à Assembleia Legislativa.
O confronto público expõe a fratura na base governista, já que ambos são apontados como pré-candidatos à sucessão estadual.
“Esse senhor é desprezível. Nunca teve uma experiência em fazer gestão, sequer de orçamento doméstico. Nós conhecemos ele na política, como deputado, veio até aqui nessa profissão. Será que isso é uma profissão? Porque a vida pública para mim é servir. No caso dele, tem muito mais coisa que todo mundo sabe. A história dele é cabulosa”, atacou Pivetta.
ENTENDA O EMBATE: HABITAÇÃO X FETHAB
A polêmica teve início após Wellington Fagundes publicar um vídeo nas redes sociais cobrando explicações do governador. No vídeo, o senador questionou os motivos do pedido de empréstimo e cobrou transparência sobre o destino dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).
O projeto em questão foi enviado por Pivetta na última quarta-feira, dia 24 de junho, ao presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos). A mensagem governamental solicita autorização para contrair uma operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal no valor de R$ 1,5 bilhão.
O Palácio Paiaguás justifica que o montante será integralmente destinado à construção de 60 mil casas populares em Mato Grosso. A medida visa também recompor as receitas que o Estado perderá com o fim do recolhimento do Fethab 2, previsto para ser extinto no final deste ano.
PIVETTA DEFENDE SAÚDE FINANCEIRA E REBATE: “TEMOS CRÉDITO”
Ao rebater as cobranças do senador, Pivetta defendeu a solidez fiscal da atual gestão e argumentou que Mato Grosso conquistou a capacidade de contrair financiamentos baratos justamente pelas reformas estruturais que realizou.
“Nós mandamos o projeto de R$ 1,5 bilhão para fazer 60 mil casas, porque é a prioridade número um em Mato Grosso: habitação para quem ainda não tem. Eu explico por que nós mandamos: porque temos crédito. Sabe por que temos crédito? Porque fizemos as reformas e o dever de casa para o Estado ficar superavitário”, explicou o governador.
Pivetta ironizou a capacidade técnica de Fagundes e afirmou que o empréstimo faz parte de uma estratégia de mercado vantajosa para os cofres públicos.
“A nossa dívida hoje é negativa. Portanto, podemos fazer dívida. [Wellington] não sabe fazer bons negócios. Estamos garantindo esse recurso no orçamento, com custo baixo. Isso é governar. Governar é criar alternativa, é pensar em solução mais barata, fazer bons negócios para a sociedade. Coisa que ele não sabe fazer, nem para ele e, obviamente, não saberá fazer para a sociedade”, concluiu.
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