*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Teve início na manhã desta terça-feira, dia 23 de junho, no Fórum de Cuiabá, o aguardado julgamento popular da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro.
A sessão é presidida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, titular da 1ª Vara Criminal da Capital. Diante do Conselho de Sentença, a ré responde pelas mortes dos estudantes Ramon Alcides Viveiros e Mylena de Lacerda Inocêncio, além do atropelamento e graves ferimentos causados a Hya Girotto.
O julgamento pelo Tribunal do Júri marca o ápice de uma longa batalha jurídica que já dura quase oito anos, atraindo grande comoção pública devido à gravidade do ocorrido.
O FOCO DO JÚRI POPULAR E A REVIRAVOLTA JURÍDICA
O destino de Rafaela Screnci agora está nas mãos dos jurados, que terão a missão de decidir se ela agiu com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Chegar ao Tribunal do Júri, no entanto, exigiu um duro embate nos tribunais superiores.
Em um primeiro momento, no ano de 2022, a bióloga chegou a ser absolvida sumariamente de ir a júri popular por uma decisão do juiz Wladymir Perri, então magistrado da 12ª Vara Criminal de Cuiabá.
A sentença absolutória foi integralmente derrubada em 2024 pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), que atendeu ao recurso da acusação e determinou que o caso deveria, sim, ser julgado pelo povo.
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento do tribunal mato-grossense. A defesa da bióloga tentou reverter a decisão com novos recursos em Brasília, mas não obteve sucesso.
Ainda em novembro de 2025, a juíza Mônica Perri chegou a agendar a sessão para o dia 2 de dezembro daquele ano, mas o julgamento acabou sendo adiado.
RELEMBRE O CRIME
O trágico episódio aconteceu na madrugada do dia 23 de dezembro de 2018, em um dos pontos mais movimentados da noite cuiabana. Segundo os autos, as três vítimas saíam da boate Valley Pub e atravessavam a Avenida Isaac Póvoas quando foram atropeladas pelo veículo conduzido por Rafaela, que trafegava pela faixa esquerda da via.
Mylena de Lacerda Inocêncio morreu na hora. O estudante Ramon Alcides Viveiros chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois em decorrência dos graves ferimentos. A terceira vítima, Hya Girotto, sobreviveu após passar por um longo período de internação e cirurgias.
Rafaela Screnci foi presa em flagrante pela Polícia Militar logo após o atropelamento. De acordo com o registro policial, ela apresentava visíveis sinais de embriaguez e se recusou a realizar o teste do bafômetro. Diante da negativa, os militares confeccionaram um Auto de Constatação de Embriaguez, detalhando as alterações de comportamento e a capacidade psicomotora da condutora. Levada à Central de Flagrantes, ela passou por audiência de custódia e obteve a liberdade provisória mediante o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 9,5 mil.

