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17 de junho de 2026 12:42

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OpiniãoMT > Blog > Cuiabá > Taxista denuncia “sindicato fantasma”, portas fechadas e desmonte de sede em Cuiabá
Cuiabá

Taxista denuncia “sindicato fantasma”, portas fechadas e desmonte de sede em Cuiabá

última atualização: 17 de junho de 2026 11:11
Jornalista Mauad
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8 Minutos de Leitura
Foto: reprodução
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O Sindicato dos Taxistas Autônomos Condutores de Passageiros de Cuiabá (SINTAC) virou alvo de uma denúncia formal junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Sob a Notícia de Fato, a investigação apura graves irregularidades institucionais, ausência supostamente de eleições legítimas e o suposto uso indevido do patrimônio da categoria.

O autor da denúncia é o taxista Marcus Giovani Queiroz Soares. Com uma trajetória que começou ao lado do pai há 32 anos, em 1994, Marcus passou 18 anos afastado da profissão, enquanto a família dele deu continuidade ao ofício. Ele retornou definitivamente aos pontos de táxi há pouco mais de um ano e, diante do cenário de abandono representativo, passou a integrar uma comissão criada pelos próprios trabalhadores para cobrar respostas.

ENTENDA AS DENÚNCIAS RECENTES: REGISTRO CANCELADO E CNPJ INAPTO

A denúncia protocolada por Marcus Giovani aponta que o SINTAC hoje opera supostamente de forma completamente ilegal e sem condições jurídicas de representar os trabalhadores. Conforme documentos, o registro sindical da entidade foi oficialmente cancelado em 3 de janeiro de 2025. Além disso, o CNPJ do sindicato se encontraria inapto perante a Receita Federal devido à omissão prolongada de declarações obrigatórias.

Mesmo com a perda da validade jurídica, a atual gestão, liderada por Aelson Alves Barbosa, é acusada de continuar assinando documentos e se apresentando como uma diretoria legítima.

Outro ponto central da investigação no MPT é o desvio de finalidade do prédio da sede social. O espaço, localizado no bairro Bandeirantes, estaria explorado comercialmente para o aluguel de kitnets e funcionamento de um lava-jato terceirizado. O denunciante alega que os valores arrecadados com esses aluguéis não são revertidos para a categoria e que não há qualquer tipo de prestação de contas há anos.

O DESMONTE DA ESTRUTURA E O AFASTAMENTO DA CATEGORIA

Marcus Giovani relembrou com nostalgia o período em que o sindicato funcionava como um ponto de apoio real para as famílias dos motoristas, contrastando com o abandono atual.

“A sede social do sindicato já funcionou gabinete dentário, tinha clínico geral para atendimento exclusivo dos taxistas. Era, há mais de 20 anos, um local de orgulho para a categoria. Acontece que, desde que o Aelson e seu grupo tomaram a diretoria do sindicato, começou o desmonte da sede social, direcionando o espaço para aluguéis com o objetivo de bancar o funcionamento da entidade. Só que não. Eles recebem aluguéis e já são 6 anos de portas fechadas, sem nenhum ato de prestação de contas. Ele vai alegar que os taxistas não pagam mensalidade sindical, mas como vão pagar dessa forma como agem com a entidade? A forma correta de aplicação do dinheiro dos aluguéis seria manter e melhorar o espaço da entidade.”

Segundo o denunciante, as portas do sindicato foram trancadas sob a justificativa da pandemia da Covid-19 e só reabriram no final do ano passado com a promessa de novas eleições. Contudo, Marcus afirma que o grupo que está no poder utiliza manobras estatutárias para impedir a participação dos trabalhadores.

“Eles alegam que para votar tem que estar em dia com as obrigações sindicais. Ele e sua diretoria sempre quiseram a categoria fora do sindicato para não ter que dar satisfação nem prestação de contas dos recursos arrecadados e dos atos cometidos em relação aos taxistas. O sindicato operando de forma ilegítima já tem um tempo. Enfim, vieram os aplicativos, a categoria não quis mexer e, de fato, os taxistas em si, a grande maioria, têm pouco estudo. Eles têm medo de questionar o Aelson e sofrer perseguição”.

Marcus relatou que as assinaturas do gestor de fato variavam frequentemente nos bastidores administrativos, alternando-se “ora como presidente, ora como secretário do sindicato num curto período de tempo”. Foi esse comportamento instável que acendeu o alerta nos motoristas, motivando a busca por amparo jurídico para instalar uma comissão de defesa independente.

Ciente do impacto da iniciativa, o taxista afirma que o sentimento geral entre os profissionais é de expectativa por uma renovação total da instituição.

“Essa denúncia é muito séria, eu sei e a categoria sabe o grau de seriedade que ela tem quanto à retaliação. Eu sempre coloco Deus em primeiro lugar e de joelhos peço sempre a direção a ser seguida. A categoria ficou e está em êxtase por esses dias, porque tudo que a maioria esmagadora quer está se fazendo cumprir. Então, na minha opinião, teríamos que, com o apoio do MP e da Justiça, a maioria decidir pela refundação da entidade. Começar do zero, com uma eleição justa, onde todos os que estão trabalhando possam votar e ser votados.”

O OUTRO LADO

Em resposta às denúncias protocoladas no Ministério Público do Trabalho (MPT), o presidente do Sindicato dos Taxistas de Cuiabá (SINTAC), Aelson Alves Barbosa, emitiu uma nota oficial de esclarecimento na qual rechaça veementemente as acusações de irregularidades na gestão da entidade.

No documento, o gestor classifica as alegações apresentadas pelo taxista Marcus Giovani como “infundadas” e assegura que todas as decisões e atos administrativos adotados pela diretoria seguem rigorosamente a legislação vigente e o estatuto que regulamenta o sindicato.

Aelson Alves manifestou tranquilidade diante do procedimento investigativo, ressaltando que o grupo está de portas abertas para colaborar com os órgãos fiscalizadores.

“Reafirmamos que estamos à disposição das autoridades competentes e, no momento oportuno, apresentaremos nossa defesa com transparência e respeito à verdade”, pontuou o presidente.

Por fim, a nota pondera que, embora reconheça o direito legítimo de qualquer cidadão ou trabalhador de acionar a Justiça e buscar respostas, tais iniciativas precisam estar respaldadas em bases jurídicas reais e concretas, o que o sindicato alega não ser o caso da denúncia em voga.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

Diante das denúncias apresentadas contra o Sindicato dos Taxistas de Cuiabá, esta gestão vem a público esclarecer que as alegações são infundadas. Todos os nossos atos estão em conformidade com a legislação vigente e com o estatuto que regulamenta a entidade.

Reafirmamos que estamos à disposição das autoridades competentes e, no momento oportuno, apresentaremos nossa defesa com transparência e respeito à verdade.

Salientamos que todo cidadão tem o direito de denunciar e buscar seus direitos, desde que existam fundamentos legais para tal.

Cuiabá-MT, 16 de junho de 2026.

Aelson Alves

Presidente do SINTAC

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