*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, prestou apoio operacional à Polícia Civil do Rio Grande do Sul na deflagração da Operação Interface. A ofensiva tem como objetivo desarticular uma associação criminosa especializada em estelionatos eletrônicos, com foco na aplicação do golpe conhecido no meio policial como “Falso Executivo”.
As ações em solo mato-grossense resultaram no cumprimento de 48 ordens judiciais, sendo 32 mandados de busca e apreensão domiciliar e 16 mandados de prisão preventiva, distribuídos entre as cidades de Cuiabá e Várzea Grande. No total geral do país, a operação movimentou 87 ordens judiciais, englobando também alvos no estado do Rio Grande do Norte, além do bloqueio imediato de dezenas de contas bancárias ligadas aos investigados.
PREJUÍZO DE r$ 193 MIL E A DINÂMICA DO GOLPE
A investigação, conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, teve início ainda em 2025. O estopim das apurações foi um golpe eletrônico que gerou um prejuízo financeiro de R$ 193 mil para uma empresa do setor industrial gaúcho.
O esquema funcionava de maneira altamente estratégica. Os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens instantâneas e criavam perfis falsos se passando por diretores e executivos de grandes companhias. Na sequência, eles faziam contato com funcionários dos setores financeiro e administrativo, induzindo-os a realizar transferências de urgência.
No caso investigado, uma assistente financeira da indústria efetuou os pagamentos para contas de terceiros acreditando piamente que estava cumprindo ordens do presidente da empresa. O perfil golpista exibia a foto real do executivo e, como ele estava em viagem de negócios, a funcionária considerou a solicitação de pagamento a fornecedores via mensagem algo rotineiro.
Ela só desconfiou do crime dois dias depois, ao notar que os valores transferidos eram muito elevados e exigidos em um curto espaço de tempo. Ao checar diretamente com o superior, constatou que o número de telefone não pertencia a ele. Toda a execução e a logística do crime partiam da Baixada Cuiabana.
ESTRATÉGIA DE PULVERIZAÇÃO FINANCEIRA
Para blindar o dinheiro obtido ilegalmente, a rede criminosa estruturou uma engenharia financeira em Mato Grosso baseada no uso de “conteiros”, pessoas que emprestam, alugam ou vendem as contas bancárias para receber os valores ilícitos.
O dinheiro da indústria gaúcha era pulverizado imediatamente após o depósito em dezenas de contas vinculadas a instituições financeiras digitais (fintechs) espalhadas pelo Brasil. De acordo com a Polícia Civil, essa estratégia de fracionamento rápido visa dificultar o rastreamento das autoridades e impedir mecanismos de recuperação de valores pelas vítimas.
Os suspeitos identificados e presos na operação possuem uma extensa ficha criminal pela prática de crimes cibernéticos e estelionatos semelhantes.
O material apreendido nos endereços de Cuiabá e Várzea Grande foi recolhido e passará por perícia técnica para rastrear os reais beneficiários dos lucros da fraude.

