O café brasileiro caminha para registrar uma das maiores marcas de sua história no ciclo 2026/27. De acordo com projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção nacional deverá alcançar 71,9 milhões de sacas, volume que representa crescimento de 14% em relação ao período anterior. O resultado é atribuído principalmente ao desempenho esperado das lavouras de arábica, beneficiadas por condições climáticas favoráveis, investimentos realizados pelos produtores e pelo ciclo de bienalidade positiva da cultura.
A previsão reforça o papel do Brasil como principal produtor mundial do grão e indica um cenário de maior oferta para os mercados interno e externo nos próximos meses.
Produção de café deve alcançar maior volume da história
As estimativas do USDA apontam para uma recuperação expressiva da produção nacional após anos em que a colheita ficou abaixo do potencial esperado. O principal destaque é o café arábica, cuja safra deverá apresentar expansão de aproximadamente 25% em comparação ao ciclo anterior.
Segundo o relatório, fatores climáticos tiveram papel decisivo para o desempenho das lavouras. As precipitações registradas durante a fase de floração em 2025 contribuíram para uma boa formação dos frutos, enquanto a regularidade das chuvas nos primeiros meses de 2026 favoreceu o desenvolvimento das plantações.
Além disso, os preços elevados observados no mercado internacional nos últimos anos estimularam os produtores a ampliar investimentos em tecnologia, manejo e renovação de áreas cultivadas.
Arábica lidera crescimento da safra
Dentro da projeção total, a produção de café arábica está estimada em 47,5 milhões de sacas. O resultado reflete não apenas a bienalidade positiva característica da cultura, mas também o avanço de técnicas que permitem maior produtividade por hectare.
A adoção de sistemas mais modernos de cultivo, associada ao aumento da densidade de plantio em algumas regiões produtoras, contribuiu para elevar as expectativas de rendimento para a próxima temporada.
Já a produção de canéfora, grupo que engloba as variedades robusta e conilon, deverá atingir 24,4 milhões de sacas. Embora o volume permaneça elevado, a estimativa indica uma leve redução em comparação ao ciclo anterior.
Clima impacta variedades robusta e conilon
O USDA atribui a pequena queda prevista para a produção de canéfora a condições climáticas específicas observadas em determinadas regiões produtoras. Episódios de temperaturas mais baixas e excesso de chuvas afetaram parte das áreas cultivadas, reduzindo o potencial produtivo após uma safra anterior considerada bastante favorável.
Mesmo com essa retração pontual, a participação dessas variedades continua sendo fundamental para o abastecimento do mercado nacional e para segmentos específicos da indústria cafeeira.
Exportações devem crescer com maior disponibilidade do grão
O aumento da produção também deverá refletir diretamente no comércio internacional. As projeções indicam que as exportações brasileiras podem atingir cerca de 49 milhões de sacas no ciclo 2026/27.
O volume representa um avanço expressivo em relação às 37,8 milhões de sacas embarcadas no período anterior. A expectativa é de que a maior oferta de produto permita uma recuperação significativa das vendas externas, fortalecendo ainda mais a posição brasileira no mercado global.
Apesar do cenário positivo, o relatório destaca que os embarques seguem limitados pelos baixos níveis de estoque acumulados nos últimos anos.
Estoques reduzidos ainda representam desafio
As reservas menores são consequência de colheitas mais restritas registradas em ciclos anteriores, combinadas à forte demanda internacional pelo produto brasileiro.
Esse contexto reduziu a disponibilidade imediata do grão para exportação no início de 2026. No entanto, a tendência é de melhora gradual à medida que a colheita avança e novos volumes chegam ao mercado.
Segundo o USDA, a intensificação dos trabalhos de colheita a partir do segundo semestre deverá ampliar a oferta e favorecer o crescimento dos embarques ao longo do ano comercial.
Consumo interno mantém trajetória estável
Enquanto a produção e as exportações apresentam forte expansão, o mercado doméstico deverá seguir com comportamento mais moderado. A expectativa é que o consumo nacional alcance 22,39 milhões de sacas em 2026/27.
O volume representa um crescimento discreto de aproximadamente 0,5% em relação ao ciclo anterior. A projeção reflete uma recuperação gradual após um período em que os preços elevados ao consumidor impactaram a demanda em algumas regiões do país.
Mesmo com oscilações no mercado, o Brasil continua entre os maiores consumidores mundiais da bebida, mantendo o café como um dos produtos mais presentes na rotina dos brasileiros.

